Este sono que me foge
Me acorda e me alerta
Trás um cansaço dobrado
E o olhar me desperta
Nas crianças abandonadas
Nos velhinhos em perigo
Com a esperança destroçada,
Pelas guerras frias e nuas
De palavras sem amor
E sempre, sempre tão cruas
Que só aumentam a dor.
Este sono que me foge
Vagueando pelo tempo
Já me cansa o pensamento
Por tantos dias vividos
Sem amor sem esperança
Tantas noites a vaguear
Desejando descobrir
A cura para este mundo
Voltar de novo a sorrir
luiscoelho
domingo, 3 de janeiro de 2010
As poupas
Nos meses de Verão = Julho e Agosto = havia "Doutrina" Junto à Igreja Paroquial de Souto da Carpalhosa.
Hoje dir-se-ia = aulas de Catequese.
Os Seminaristas em férias ajudavam o Senhor prior nesta tarefa.
Depois do almoço lá íamos nós subindo a encosta das Picotas.
É um monte elevado que nos ficava a nascente e nos encurtava o caminho.
Por outro lado não corríamos o perigo de andar na estrada nacional 109 que liga Leiria à Figueira da Foz. Quase sempre caminhávamos em grupo subindo pelos carreiros de terra batida.
Havia dois salões muito grandes onde sentados em bancos corridos iamos repetindo em coro todas as orações e actos de Fé, Caridade, Contrição. o Credo, a Salvé Rainha e todo quanto se dizia naquele tempo.
É um monte elevado que nos ficava a nascente e nos encurtava o caminho.
Por outro lado não corríamos o perigo de andar na estrada nacional 109 que liga Leiria à Figueira da Foz. Quase sempre caminhávamos em grupo subindo pelos carreiros de terra batida.
Havia dois salões muito grandes onde sentados em bancos corridos iamos repetindo em coro todas as orações e actos de Fé, Caridade, Contrição. o Credo, a Salvé Rainha e todo quanto se dizia naquele tempo.
Num dos Salões ficavam os rapazes e no outro ao lado ficavam as meninas.
Devíamos ser mais de 80 no total.
Devíamos ser mais de 80 no total.
Havia ainda um terceiro salão mais perto da Igreja para os alunos do último ano de Doutrina.
Estes últimos eram preparados para fazer a Profissão de Fé e o Crisma.
Recordo aquelas tardes desses meses em que o calor mais se fazia sentir, mas também ouvindo aquela cantilena que nos fazia pender a cabeça para os lados.
Os Catequistas batiam-nos com uma cana na cabeça e aí abríamos os olhos num misto de raiva e vergonha.
Terminada esta fase de aprendizagem éramos submetidos a um exame oral = a exemina =
Se soubéssemos tudo passávamos e poderíamos fazer a Primeira Comunhão ou a Comunhão Solene.
Numa destas tardes seguia com o David, quando nos lembrámos de ir ver se a poupa já tinha os filhotes criados e bons para levarmos para casa.
Meti a mão e o braço na toca da Oliveira e agarrei a primeira. Puxei-a para fora. Muito bonita e já criada. Então com maior desembaraço fui procurar a segunda ave.
Agora acontecia um problema maior e mais difícil de resolver.
Teríamos de voltar a colocar os pássaros no ninho e ir à catequese ou então faltar à catequese e guardar os passaritos.
Optamos pela segunda hipótese.
Ficámos por ali escondidos a guardar os passaritos e fazendo tempo para que os outros voltassem tambem para casa.
Combinámos ainda que este segredo nunca o contaríamos a ninguém. E, assim foi. Respeitámos este acordo e nunca ninguém soube do nosso plano.
Os passarinhos, coitados, acabariam por morrer por falta de alimentação cuidada.
As poupas são muito bonitas mas não se podem engaiolar.
Os nossos pais nunca souberam que nessa tarde nós não fomos com os outros à doutrina
luiscoelho
Queria amar-te na vida
Queria amar-te na vida
Como te amo nos sonhos
Saber-te sempre minha amiga
Nestes dias tão tritonhos.
Queria beijar os teus olhos
No mais fundo que puder
Recebendo o teu sorriso
Em tudo quanto te der.
Queria olhar-te de frente
Na vida que nos reune
Sem medo de ser ausente
Quando o silêncio presume.
Queria sentir as tua mãos
Procurando os meus segredos
Deixando as minhas em troca
Entrelaçar os teus dedos.
E as nossas bocas cantando
Aquelas canções com vida
Que sendo tão verdadeiras
Nunca poderão ser esquecidas
luiscoelho
Como te amo nos sonhos
Saber-te sempre minha amiga
Nestes dias tão tritonhos.
Queria beijar os teus olhos
No mais fundo que puder
Recebendo o teu sorriso
Em tudo quanto te der.
Queria olhar-te de frente
Na vida que nos reune
Sem medo de ser ausente
Quando o silêncio presume.
Queria sentir as tua mãos
Procurando os meus segredos
Deixando as minhas em troca
Entrelaçar os teus dedos.
E as nossas bocas cantando
Aquelas canções com vida
Que sendo tão verdadeiras
Nunca poderão ser esquecidas
luiscoelho
sábado, 2 de janeiro de 2010
Anoitecer
O vento frio e gelado
Anoiteceu os pensamentos
Arrastando-os lentamente
Em ondas furiosas
Que se debatiam serenamente
Nas rochas invisíveis dos sentimentos
Mas continuavam presentes
Em tantos desejos ardentes
Revolvendo íntimos segredos
Habitando-nos como presas.
As ondas de maior ausência
Voltavam sempre ao passado
Dos nossos planos secretos.
O cansaço venceu
A dor daqueles momentos
E adormecendo sonhou
Coisas lindas de outros tempos.
luiscoelho
Anoiteceu os pensamentos
Arrastando-os lentamente
Em ondas furiosas
Que se debatiam serenamente
Nas rochas invisíveis dos sentimentos
Mas continuavam presentes
Em tantos desejos ardentes
Revolvendo íntimos segredos
Habitando-nos como presas.
As ondas de maior ausência
Voltavam sempre ao passado
Dos nossos planos secretos.
O cansaço venceu
A dor daqueles momentos
E adormecendo sonhou
Coisas lindas de outros tempos.
luiscoelho
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
2010
Amanheceu devagar
E o vento soprou com dureza
Na chuva a lavar a terra
Mas trouxe ao coração a certeza
E o desejo de muita paz.
Nossos olhos se fixaram
Na busca de mais amor
Acordaram com o frio da manhã
Fugindo sempre da dor.
A esperança amanheceu
Mais suave e musical
Afagou as cordas dos pensamentos
De belo som divinal
O Sol foi surgindo amarelado
Despedindo-se do Ceu estrelado
Como um sonho foi ficando
Neste desejo de um Ano Novo
Mais próspero e renovado
luiscoelho
E o vento soprou com dureza
Na chuva a lavar a terra
Mas trouxe ao coração a certeza
E o desejo de muita paz.
Nossos olhos se fixaram
Na busca de mais amor
Acordaram com o frio da manhã
Fugindo sempre da dor.
A esperança amanheceu
Mais suave e musical
Afagou as cordas dos pensamentos
De belo som divinal
O Sol foi surgindo amarelado
Despedindo-se do Ceu estrelado
Como um sonho foi ficando
Neste desejo de um Ano Novo
Mais próspero e renovado
luiscoelho
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