Anoitecia lentamente
As sombras corriam apressadamente
Misturadas no entardecer
De mais um dia a empalidecer.
A luz perdida pelas nuvens
Formava cordões transparentes
Que trespassavam as ramagens
Das árvores e dos pensamentos.
Os olhos perdiam-se na imensidão
Buscando alguma explicação
Com lógica ou razão
Para tanta maravilha, beleza
E magia nesta passagem.
Os pensamentos misturavam-se
Apressadamente numa simbiose
De luz quebrada pelo anoitecer.
As sombras desapareciam
E tudo ficava enegrecido pela noite
Na angustia das perguntas sem resposta
Dos porquês destas mudanças.
Se mãos pudessem atar
A beleza destes momentos
E guardá-los no cofre da alma
E todos quanto se cruzam com o vento
Redescobrissem a maravilha do tempo
No baloiçar das horas neste momento.
luiscoelho
quinta-feira, 9 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
poetas
Ser poeta é ser marinheiro
Neste mar de amar a cantar
As coisas que temos no peito
Escrevendo-as sempre a rimar.
Nas ondas dos meus pensamentos
Navego de velas ao vento
Procurando um porto de abrigo
Onde possa cruzar-me contigo
Perdidos na espuma do mar.
Ser poeta é amar sem querer,
É sofrer sem compreender,
É esconder-se na vida e não ser
Um marinheiro de amor a valer.
Ser poeta é nada entender
Mas é sobretudo amar com paixão
Aquele amor sem explicação
Que tem a nascente no coração.
Ser poeta é sobretudo perceber
Que o coração tem razões
Que a razão nunca pode entender
luiscoelho
Neste mar de amar a cantar
As coisas que temos no peito
Escrevendo-as sempre a rimar.
Nas ondas dos meus pensamentos
Navego de velas ao vento
Procurando um porto de abrigo
Onde possa cruzar-me contigo
Perdidos na espuma do mar.
Ser poeta é amar sem querer,
É sofrer sem compreender,
É esconder-se na vida e não ser
Um marinheiro de amor a valer.
Ser poeta é nada entender
Mas é sobretudo amar com paixão
Aquele amor sem explicação
Que tem a nascente no coração.
Ser poeta é sobretudo perceber
Que o coração tem razões
Que a razão nunca pode entender
luiscoelho
domingo, 5 de julho de 2009
luar de esperança
Olho a lua brilhando nas noites de solidão
E lhe faço uma súplica por minhas mãos
Recurvadas em prece e profunda oração
Nascendo do fundo da alma e do coração.
Olho a lua nas noites claras de luar
E lhe envio o desejo de viver e amar
Sem tempo a perder e sem nunca parar
Nesta luta constante que tudo quer abraçar.
Mas o luar se apaga com tristeza e agonia
Nestas horas longas de pesar ou de alegria
Só lhe peço que me cubra com seu manto
E que leve para longe a dor e aquele pranto
Que a saudade me trás em cada dia.
A lua brilhando no olhar de cada criança
Me ensina a amar com fé e esperança
E aceitar cada dia de mudança
Numa crescente e total confiança.
Este luar brilhando suavemente
Alumiando os lençóis onde me deito
Que se esconde de dia sem arte nem jeito
Mas que eu canto com a força do peito
luiscoelho
E lhe faço uma súplica por minhas mãos
Recurvadas em prece e profunda oração
Nascendo do fundo da alma e do coração.
Olho a lua nas noites claras de luar
E lhe envio o desejo de viver e amar
Sem tempo a perder e sem nunca parar
Nesta luta constante que tudo quer abraçar.
Mas o luar se apaga com tristeza e agonia
Nestas horas longas de pesar ou de alegria
Só lhe peço que me cubra com seu manto
E que leve para longe a dor e aquele pranto
Que a saudade me trás em cada dia.
A lua brilhando no olhar de cada criança
Me ensina a amar com fé e esperança
E aceitar cada dia de mudança
Numa crescente e total confiança.
Este luar brilhando suavemente
Alumiando os lençóis onde me deito
Que se esconde de dia sem arte nem jeito
Mas que eu canto com a força do peito
luiscoelho
Flores em sofrimento
Naquela manhã de Julho, com temperaturas de Verão, a tia Rufina estava radiante. Pintou os olhos , as unhas das mãos e dos pés e enfeitou-se com as suas jóias de ouro. O conjunto das roupas combinava perfeitamente com as tintas e o brilho das jóias nas orelhas, ao pescoço e ainda as pulseiras nos dois braços. Somos colegas de trabalho há muitos anos. A nossa maior cumplicidade vem daquelas conversas ocasionais em que nos tornamos confidentes um do outro, partilhando problemas e procurando algumas soluções, talvez as mais ajustadas no nosso caso. Nestas pequenas conversas, muitos dias à sombra dos pinheiros e à vista de toda a gente,tornámo-nos cúmplices um do outro abrindo o tesouro da alma onde guardamos sofrimentos, alegrias e ainda aquelas inquietações que nos fazem procurar ajuda nos amigos de verdade, pois sabemos que não brincam com os nossos sentimentos, nem vão abrir mão destas conversas com os outros. Não podemos dar conselhos um ao outro. Apenas podemos ouvir aliviando a ansiedade e tanta angústia armazenada no fundo da alma. Na última conversa percebi um pouco a atitude da tia Rufina transcrita nas suas palavras:
«o meu homem pode ter muitas amantes mas nunca terá nenhuma mais asseada e bem arranjada como eu».
Do seu olhar saíam faíscas de revolta, ira ou nem sei dizer o quê....Tantos anos de trabalho, tantas desculpas e perdão e o seu homem ainda não se emendou de andar atrás de outras mulheres gastando o que tem e o que não tem, levando para casa os bolsos vazios e na cabeça o derespeito pela esposa e as filhas já crescidas.
- Mãe diz-nos porque não te separas do pai....?
- Ele já te fez muito mal e nunca vai emendar-se....
- O que irá ser deste pobre se o abandonar...?Todos os dias me preocupo em fazer aqueles pratos que ele gosta, em ter a casa limpa e bem arrumada quero que ele nunca tenha motivos para dizer mal de mim.
- Já me bateu muito e me deixou marcas e mazelas muito grandes no meu corpo....
- Já não terei mais medo ou vergonha.....As nossas poucas conversas são apenas para lhe pedir algum dinheiro para as despesas da casa como a água e a luz. Perdi o medo dele....
Os seus olhos flamejavam!..............E o silêncio ficava no ar sem reposta nem conforto.
A tia Rufina ainda não tinha acabado:
- Vou escrever um livro, vou contar a minha história para que saibam o que tenho passado.
Numa das últimas conversas perguntei-lhe:
- Se não és feliz, vai à tua vida e vive como sempre fizeste com muitas amantes para te comerem e destruírem. Vai... e embebeda-te para te esqueceres do mal que me tens feito e também às tuas filhas....se é isso que queres vai.....Dá-nos ainda uma razão porque não nos deixas em paz.................Então o homem diz-lhe:
Tu és limpa e muito asseada alem de seres muito trabalhadora e eu nunca te vou deixar! Novamente o silêncio parecia cair dos ramos dos pinheiros como um tecto que nos protegia dos olhares indiscretos à nossa volta. Há pessoas com uma cruz muito pesada e sem qualquer esperança de que fique mais leve ou menos espinhosa no futuro. Nem todos tem coragem desta mulher que luta para ter um pouco de felicidade e dar às suas filhas e já um neto uma imagem bem diferente de tudo aquilo que vive diariamente.
- Olhe que chegou a infectar-nos a todos lá em casa com doenças venéreas e fui eu que tive de lhe marcar uma consulta e pagar os tratamentos.Se alguma de nós se sentasse na cadeira ainda quente, ficava logo com aquela doença....que vergonha que passámos............
Olhe tia Rufina penso que esse comportamento poderá trazer um pouco dos traumas de guerra. Marque-lhe uma consulta num especialista e veja se consegue tratar-lhe da reforma por invalidez, pois mais dia menos dia acabará por ter esse peso ali em casa e terá de alimentá-lo bem como aos seus vícios. Mais nada me ocorreu para rematar este encontro na nossa hora de almoço.
O meu coração sangrava também, e só pensava o porquê desta situação ..... ?
Por vezes, quanto mais fundo estamos, menos vemos e menos vontade temos de sair dessa situação.Um tratamento fará bem a este senhor e como a esperança é a última a morrer pode ser que ainda vá a tempo de salvar o pouco que lhe resta da sua família.
«Os nomes não correspondem aos verdadeiros por motivos de respeito»
sábado, 4 de julho de 2009
Lua
A Lua formosa e arredondada vai no ar
Arrebatando pela a noite o meu olhar
Que fica preso, pensativo e a mirar
Aquela luz a que chamamos de luar.
Olhando para cima construímos
Pensamentos de poetas e pensadores
Sabedoria do povo e construtores
E agonia dos desencantados de amores.
Porque vais assim tão rápida e altiva
Fazendo-nos andar por aí e a cantar
Esse luar prateado que nos quer enganar
E por amor também nos faz penar ?
De tantos pensamentos ao luar
O meu olhar de cansado adormeceu
E os sonhos me levaram ao Céu
E vi que o brilho é do Sol e não é teu.
A Lua é uma deusa ou moira encantada
Que anda perdida , desmaiada e nua
Esconde-se da minha vista e da tua
Mas tanta imaginação é sempre sua.
luiscoelho
Arrebatando pela a noite o meu olhar
Que fica preso, pensativo e a mirar
Aquela luz a que chamamos de luar.
Olhando para cima construímos
Pensamentos de poetas e pensadores
Sabedoria do povo e construtores
E agonia dos desencantados de amores.
Porque vais assim tão rápida e altiva
Fazendo-nos andar por aí e a cantar
Esse luar prateado que nos quer enganar
E por amor também nos faz penar ?
De tantos pensamentos ao luar
O meu olhar de cansado adormeceu
E os sonhos me levaram ao Céu
E vi que o brilho é do Sol e não é teu.
A Lua é uma deusa ou moira encantada
Que anda perdida , desmaiada e nua
Esconde-se da minha vista e da tua
Mas tanta imaginação é sempre sua.
luiscoelho
anoitecer
Entardecia lentamente,
O ar tornava-se mais leve,
Soprando a brisa suavemente
Transformando este anoitecer.
O cheiro da terra lavrada
Traz tantos pensamentos
Que explodem em correntes
Que nos fazem amar estes momentos.
Neste entardecer pachorrento
A noite envolve e abraça
Tudo e todos num só vento
Adormecidos no canto dos sonhos
Tecemos um manto de estrelas
E com ele navegamos outros mundos
Mais justos, mais belos e risonhos.
A noite é sempre boa conselheira
Nela perdemos todas as canseiras
Sonhamos tantas coisas desordeiras
E renascemos jovens com maneiras.
luiscoelho
O ar tornava-se mais leve,
Soprando a brisa suavemente
Transformando este anoitecer.
O cheiro da terra lavrada
Traz tantos pensamentos
Que explodem em correntes
Que nos fazem amar estes momentos.
Neste entardecer pachorrento
A noite envolve e abraça
Tudo e todos num só vento
Adormecidos no canto dos sonhos
Tecemos um manto de estrelas
E com ele navegamos outros mundos
Mais justos, mais belos e risonhos.
A noite é sempre boa conselheira
Nela perdemos todas as canseiras
Sonhamos tantas coisas desordeiras
E renascemos jovens com maneiras.
luiscoelho
sexta-feira, 3 de julho de 2009
EU
Olha-me...
Sou apenas eu.
Não sou mais do que aquilo
que vês em mim.
Não sou empresário,
não sou diplomata,
não sou deputado
nem sou mais
do que aquilo que sou.
Sou apenas eu...
Se te interessa que seja só eu
então, olha-me mais
e descobre-me
Procura em mim
aqulio que sou
e se descobrires que precisas de mim
e que sou importante para ti
então....
faz-me sabê-lo....
(autor desconhecido)
Nota
Ontem estive a folhear apontamentos do meu tempo de militar. Encontrei este poema e quiz postá-lo aqui pois me pareceu muito bom.
Sou apenas eu.
Não sou mais do que aquilo
que vês em mim.
Não sou empresário,
não sou diplomata,
não sou deputado
nem sou mais
do que aquilo que sou.
Sou apenas eu...
Se te interessa que seja só eu
então, olha-me mais
e descobre-me
Procura em mim
aqulio que sou
e se descobrires que precisas de mim
e que sou importante para ti
então....
faz-me sabê-lo....
(autor desconhecido)
Nota
Ontem estive a folhear apontamentos do meu tempo de militar. Encontrei este poema e quiz postá-lo aqui pois me pareceu muito bom.
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