terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O teu olhar

O teu olhar me devassou
Como a luz da madrugada
Entrou com a força do tempo
Na minha alma amargurada
Perdida nas curvas do vento
Pela a tristeza apunhalada.
Teu olhar me penetrou
Abrindo todas as portas 
Me possuiu e cativou
Fazendo nova esperança
De um viver mais feliz
Que agora se iniciou.
Esse olhar que era só teu
Mas agora também é meu
Porque veio e cá ficou.
Esse olhar ardeu em mim
Mas nada queimou enfim
E a dor também parou
Só nesse olhar que te dou.
luiscoelho

domingo, 6 de dezembro de 2009

Barril


Posted by Picasa
Que saudades do meu barril
Que transportava às costas
Naquelas tardes de Verão
Conservava a água fresca
Passando de mão em mão.
Tua história não sei contar.
Encontrei-te abandonado
Já sem asas e quebrado.
Dei-te cama no jardim
Onde podes ser lembrado.
Colhias água na fonte
Muito pura e transparente
E com a mesma simplicidade
Saciavas toda a gente.
Gostaria de recompor
O teu gargalo tão bonito
E a pega de alto a baixo
Lembro-me bem como eras
E das coisas que diziam 
Mas por ti nada foi dito
luiscoelho

sábado, 5 de dezembro de 2009

Contaram-me

Contaram-me que José e Maria
Se amavam com muita ternura
Que esperavam um filho com alegria
E que o seu amor era esperança futura.

Contaram-me que viram um anjo
Que lhes falou deste belo menino
Seria guardado pelo Santo Arcanjo
E seria senhor do seu próprio destino.

Contaram-me que foram recensear-se
Lá longe, em Belem, uma outra cidade
Sentada na burrinha sem poder apear-se
Maria vivia e sofria com naturalidade.

Contaram-me que o menino nasceu
Numa gruta habitada por outros animais
E que os Anjos cantaram à luz do Céu
Com tanta ternura sem terminar mais.

Contaram-me que a triste jumentinha
Ali se quedou com profundo respeito
E deixou de comer aquela palhinha
Para que fosse a cama do Filho Eleito.

Contaram-me e acreditei com lealdade
Que vieram visitá-Lo os pastores e os Reis
E Jesus lhes sorriu com grande bondade
E crescendo ensinou com sabedoria novas Leis

Contaram-me, fui feliz e em Deus acreditei
luiscoelho

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Quero dizer-te

Quero dizer-te as palavras certas
Dizê-las com muita suavidade
E amando-te sempre com lealdade.
Quero viver-te agora nesta vida
Saboreando a tua dor e o teu cansaço
Suportado na ternura do meu abraço.
Quero amar-te no brilho dos teus olhos
Nesse azul que parece vir dos Céus
Numa chama que nem deixa ver os meus.
Quero beijar-te nos teus lábios em flor
Deixando sempre belas palavras de amor
Aquelas que a boca vive e dá com sabor.
Quero ver-te com meus olhos de esperança
Estes que conheces do meu pensamento
Que amam perdidos sem hora nem tempo.
luiscoelho

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Chuva

A chuva cai lentamente
Tocada pela brisa da manhã
Molhando e regando todos os cantos,
Penetrando no corpo da terra
Possuindo-a em profundidade
Com coloridos e suaves mantos
Até onde o pensamento alcança
Vivendo a paz e a felicidade.
A chuva cai lentamente repassando,
Formando rios no interior da serra,
Finas gotas que se vão juntando
Pecorrendo silenciosamente o seu interior
Desbravando a sua alma e a sua nudez
Deixando abertas as feridas e a dor.
Sinto-me chuva andando no tempo
Corrida veloz marcada no vento
Seguindo nos caminhos do pensamento
luiscoelho

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

jardim


Nos cantos do meu jardim
Vou construindo um viveiro
Vou mudando e arranjando
Sem nunca mais ver o fim.
Umas são plantas de Verão
Outras são mesmo do Outono
Na Primavera todas se dão
Acordaram do frio e do sono.
Muitas horas ouço segredos
Que só elas sabem contar
Tantos falam sem conhecer
Mas elas sabem escutar.
Os vossos segredos não direi
Temos um acordo firmado
E como dos meus já sabeis
Espero que seja respeitado.
Não vou dizer-vos mais nada
Sempre fomos entendidos.
Os nossos segredos são sagrados
Ninguem irá ficar ofendido
luiscoelho
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Política

Cansei de esperar
Tanto prometeram
Mas nada mudaram.
Transformaram as palavras em silêncio
Com as palavras se escondem
Com elas nos mentem
Com as palavras consentem
O desemprego e a fome
O abandono escolar
E tantas coisas sem nome.
Arranjam palavras e levam milhões
E gozam a vida nos seus cadeirões.
Já nem acredito em oposições
Pois todos comem dos mesmos cifrões.
luiscoelho