domingo, 24 de maio de 2015

Não quero mas quero


Não quero acordar-te,
Mas quero ver-te dormir.
Olhar-te bem perto, 
Sentir o teu cheiro
Dizer-te o que sinto sem nunca mentir. 
Quero ver-te por dentro,
Desenhar-te nos sons do olhar,
Passagens por onde entro
Me sento e me deixo ficar.
Somos um lago de sonhos
Nas cores que queremos pintar,
E sem querer nos deixamos andar. 
Mas, se trocados os tempos, 
Os ventos não hão-de parar.
São esperanças tardias 
Que nos enchem a alma no aroma dos dias. 
São olhares furtivos 
Da arte como se roubam os beijos
Que do amor nos deixam cativos.
Quero mesmo acordar-te.
luíscoelho
Maio, 24-2015