sábado, 12 de setembro de 2015

Com o Avô Luís

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Foto google

Hoje o avô estava sentado naquele canto do jardim onde costumava passar as tardes. Quando não chovia e o frio não era muito forte, era ali que o encontrávamos. Hoje reparei que ele se sentava naquela pedra grande, junto ao portão de madeira e que se encostava à parede. Assim protegia-se dos ventos frios do norte e, ao mesmo tempo, aquecia-se com o Sol que lhe chegava silencioso no final das tardes de Outubro.

Muitos dias mantinha a sua expressão séria e calma, ocupando as suas mãos em pequenos trabalhos que ele gostava de fazer.
Parecia mergulhado em sonhos de criança construindo sem pressa pequenas coisas que o distraíam. Dava gosto vê-lo brincar com pequenos pedaços de madeira, de ferro e também de plástico.

Quando agarrava um pau, grande ou pequeno, parece que lhe nascia o sonho de o tornar numa outra coisa mais bonita e prestável. Foi assim que ele com um canivete e algumas horas de paciência construiu o meu primeiro cavalinho.
Depois ajudou-me a montar e eu tornei-me num cavaleiro a sério. Parece-me que brincámos os dois pela tarde toda.

Meti o pau no meio das minhas pernas e segurava-o com um cordel que o Avô me disse serem as rédeas. As rédeas servem de comando do cavaleiro sobre o animal.
Dar "rédea curta" ou "rédea solta"
- Xó, xó!...Arre burro!
Aí, xó burro...Foram expressões novas que aprendi naquela tarde. 
Quando passava perto ele imitava as patas e o trote do cavalo.
E riamos ambos quando o avô fazia o relinchar da besta.
Foi uma tarde que nunca mais esquecerei.
O tempo foi nosso. Não demos conta da noite chegar.

Agora os dias passavam lentamente, mas ao mesmo tempo, sucediam-se rapidamente. Corriam os dias, as semanas, os meses e até os anos. 
-Ainda ontem os meus filhos casaram e já estes garotos correm aqui cheios de vida e de encanto. Dizia falando consigo, mas ao mesmo tempo querendo que o ouvíssemos.
Outro dia encontrei o avô a construir um cata-vento.
Depois falaremos dele. O Avô partiu em 2004, mas o cata-vento, ainda roda, empurrado pelo vento.
Contarei esta história depois.
Hoje vou dormir, como naquele dia, abraçado ao meu cavalinho.
Luiscoelho
Setembro/2015