sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Viagem ao Estoril

(foto google)

Em meados de Outubro recebi um convite para um espectáculo no Casino Estoril. O preço era acessível e o programa aliciante. Assistir às melhores coisas, dos melhores espectáculos de Filipe La Féria.
  
Fizemos a nossa reserva e no dia e hora marcada seguimos num autocarro com mais cinquenta e quatro pessoas. O mesmo autocarro que nos haveria de trazer de regresso a Leiria no final do espectáculo.

No programa estava incluído o jantar, bufet, no restaurante do próprio casino. Depois do jantar, andámos um pouco por ali a ver as máquinas e os jogadores.
Tinha uma imagem escurecida de um casino. Nunca na vida tinha entrado naqueles ambientes. 
Entrei sem medos de perder ou ganhar dinheiro. Não iria jogar,  nem arriscar o meu dinheiro naquelas máquinas.

Um salão grande com todo o tipo de máquinas. Alguns jogadores sentados procuravam a sorte. Pessoas pouco identificadas com a penumbra do local. Havia diversas máquinas e diversos preços.

Cada jogador aposta com uma esperança, ganhar e multiplicar os ganhos, mas os prémios parecem ser apenas uma miragem.
Nestes recantos senti medo. Medo de quem se arrisca a perder tudo com a ilusão de ganhar.

Segurei, com mais força, o braço da minha mulher e caminhamos para outra zona sem jogo. Uma área mais aberta, com mais luz e indicando já a entrada para o salão do espectáculo.

Senti-me mais leve, com uma respiração mais cadenciada.
Mas se eu não ia jogar nem tinha intenções disso, porquê tanto nervosismo...??  Sem querer absorvi parte daquela ilusão que se vive junto de cada máquina.

Entrámos na sala do espectáculo e sentámo-nos. Era o 3º balcão.
Mal me sentei, os meus intestinos começaram a dar uma volta. Fortes dores de barriga e bátegas de suor que corriam livremente  pelo rosto e um pouco por todo o corpo. 
Nunca me havia acontecido uma situação destas...

Disse à minha mulher que estava mal disposto e ela segredou-me que saísse e procurasse uma casa de banho, rapidamente.
Passei por detrás das duas filas de cadeiras, desci três lanços de escadas e perguntei a uma das empregadas onde era o WC.
- Além, pergunte aqueles empregados junto da entrada.....

Quase nem foi preciso perguntar mais nada. Indicaram-me  o caminho com muita delicadeza.
Quase a rebentar entrei, fechei a porta e libertei-me daquela aflição. 
- Que alívio e que liberdade...!

Se a liberdade tem preço, hoje senti o seu valor.  
Aprendi ainda quanto vale uma decisão na hora exacta.
O meu grande prémio estava ganho. Com suor, é certo, mas o resultado final, deixou-me muito feliz.
Se me atrasasse mais uns minutos, nem sei bem o que teria acontecido...mas dá para imaginar...

Hoje, revivendo aqueles acontecimentos, dá para rir... parece anedota...mas, na hora, as cores eram muito diferentes. Ufa....
Luíscoelho