domingo, 1 de maio de 2011

As mães que tivemos

Recordo aquele dia em que voltaste a casa muito triste e com o azul do teu olhar molhado.
Havia obras no adro da nossa Igreja. Demoliram o cemitério antigo, onde os teus pais estavam sepultados. 

Parece que era uma campa rasa, sem nenhuma marca. Apenas vocês, os três filhos, fixaram o sítio.
Em silêncio e oração aguardaste que aquela terra passasse por um crivo e depois recolheste alguns ossos soltos que embrulharam num pano de linho branco.

Cada pessoa carregava os restos mortais dos seus. Depois da missa foram em procissão levá-los ao novo cemitério.

Recordaste a criança que viu partir a tua mãe naquela manhã de neblina.

Contavas que foste vê-la ao quarto, nessa manhã, e que ela se sentou na cama. À tarde desse dia, fechou os olhos num silêncio que fez anoitecer as vossas vidas.

Passados tantos anos recordo esse dia e as tuas lágrimas.

Pensava que eras diferente. Imaginava-te duro e que nunca choravas...
Nesse dia estavas diferente. Choravas pela tua mãe.

Foi assim que nos falaste da avó. Parece que ela não era como a minha mãe.
Sempre cuidaste da minha mãe com tanto carinho que mais não era possível.
A imagem da tua mãe estava para ti como a da minha mãe está hoje para nós.

Recordo-te a ti e à mãe, recordo a tua mãe e  teu pai e ainda os pais da minha mãe. Todos vivem nesse infinito que é Deus e em Deus ninguém morre.

A nossa mãe gerou-nos no seu seio sem prever como seriamos com os nossos defeitos e qualidades.
Não puderam escolher menino ou menina e ainda menos um futuro brilhante.

Elas, as  guerreiras, abraçaram-nos e amaram-nos como ninguém mais poderá fazer. Criaram laços que nos unem e que as tornam tão especiais todos os dias da nossa vida.

Para todas as Mães do mundo a minha sincera homenagem.
Que Deus vos guarde e que ninguém vos possa fazer mal,  nem matar os vossos meninos.
Luíscoelho