quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Pobres



Estávamos perto da festa de Natal. O Inverno  fustigava-nos de frio, de chuva e de vento. A humidade prendia-se ao nosso rosto e nem o vento que soprava continuamente a amenizava.

Vai ser mais uma noite para ficar à lareira depois do jantar. Com a fogueira aquecemos a casa e as crianças brincam até à hora de deitar na cama. 
Amanhã vai ser outro dia de trabalho.

Naquela tarde, parece que tinha anoitecido mais cedo. As luzes da cidade estavam todas acesas e, naquela rua, os enfeites de Natal davam mais vida e mais cor às pessoas e a todo o ambiente.

Em passos apressados e com o tempo todo contabilizado, dirigiu-se ao Supermercado.
A mulher, saía do emprego cerca de trinta minutos mais tarde. Costumavam encontrar-se  ali perto todos os dias.

Já perto do Supermercado aproximou-se um senhor bastante magro, barba por aparar e com um aspecto muito carente.
.
- Posso dar-lhe uma palavrinha..........? 
Perguntou entre tímido e também um pouco envergonhado. Parecia que ele próprio lutava para dizer alguma coisa...

- Diga lá, respondeu o outro desinteressadamente 

- Sabe, continuou o pobre homem, estou desempregado, sem dinheiro nem para comer... ...se me puder ajudar com alguma coisa.../... 
...Nem sei o que fazer da minha vida.../...

Os olhos daquele homem brilhavam mais que todas as luzes de Natal juntas. 
- Não posso. Respondeu o outro e continuou o seu caminho.

Entrou no Super e meteu no cesto iogurtes, fruta e leite, mas quando levantou os olhos viu na sua frente o mesmo homem que o abordou na rua.

Agora pareceu-lhe ainda mais magro.
Ele olhava fixamente para a banca da fruta ao mesmo tempo que contava as poucas moedas na outra mão semi-aberta...

Ficou intrigado. Poderia tê-lo ajudado com alguma coisa e dispensado alguns iogurtes e  fruta...afinal em casa têm outras coisas que aquele homem não tem.

Nem sei o que comprou aquele senhor. Foi muito pouco. Parou na caixa e depois desapareceu.

Nos dias seguintes aquela imagem começou a persegui-lo.
Seria Jesus para lhe pedir um pouco de partilha do que temos e somos...????

Aquela imagem acompanhou-o durante muito tempo. Ficou colada aos próprios olhos. 
Todos os dias passava  por ali procurando aquele rosto que nunca mais viu.

Hoje existem muitos pobres na nossa cidade.
Todos nos falam das suas necessidades, mas porque existem muitos falsos pedintes somos forçados a passar adiante e a ignorá-los.

Haverá outras formas de ajudar aqueles que mais precisam sem ser com as esmolas nas ruas.
Luíscoelho
(texto corrigido e alterado em 2011/Dez/14)