domingo, 20 de abril de 2014

A minha Páscoa

Imagens De Jesus Ressuscitado
(foto google)

Quinta-feira depois do almoço era dia Santo e também na parte da manhã de Sexta-feira Santa. Ninguém ia para os campos trabalhar. Era assim que se fazia nos meus tempos de menino. Não havia TV nem cerimónias religiosas onde pudessem participar. 
Abriam-se as portas e as janelas e desarrumavam a sala e os quartos. Levavam as camas, as cadeiras e toda a tralha para a rua. Geralmente eram dias de muito Sol. 
Os filhos ajudavam naquelas mudanças. 
Depois apenas o pai ficava dentro da sala e começava a caiar as quatro paredes. Era cuidadoso para não pingar o sobrado nem as madeiras do tecto. Tinham de ser rápidos. O tempo corria e eles queriam deixar tudo pronto naqueles dois dias.
Quando aquela divisão ficava caiada, pronta, ele passava para a seguinte e logo a mãe, munida de um balde com água , uma barra de sabão azul e uma escova de piaçaba iniciava a limpeza geral. Ajoelhada no chão ia esfregando, com força, todo o sobrado. Depois passava com um esfregão que ia molhando e torcendo dentro do mesmo balde. Viam-se a gotas de suor a escorrer pelo rosto mas as suas mãos nunca paravam.

 Os filhos andavam no jardim. Eram dois pequenos canteiros de terra formando dois quadrados em frente da entrada principal. Limpavam as ervas e faziam um pequeno muro de terra a toda a volta. No fim calcavam tudo, por cima e dos lados, com a pá do sacho conferindo-lhe um aspecto agradável.
Deviam ainda limpar as canas (bambu) mais miúdas para fazer uma nova cercadura.
Já tinham ido à Igreja, cumprir a outra obrigação. Fazer, cada um a sua confissão. Era obrigação dos católicos confessarem-se e comungarem uma vez por ano – pela Páscoa da Ressurreição. 

 As portas e janelas estavam abertas de par em par. Corria um ar fresco que espalhava um aroma muito agradável no interior da casa. Cada um fazia o seu trabalho como uma empreitada, desejosos de a concluir. A noite aproximava-se rapidamente.
Não se podia cantar na Sexta-Feira Santa. 
O Senhor Jesus estava morto e pregado numa Cruz. 
Os homens maus puseram-No lá. Algumas pessoas diziam que foram os judeus, mas outros afirmavam que foram os sacerdotes do templo. Agora dizem-nos que foram os nossos pecados que condenaram Jesus. Acredito que a maldade dos homens e as guerras que matam os inocentes também mataram Jesus.
Ele disse: 
- Não matarás, nem cometerás adultério. Amarás ao Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto.

Jesus apenas fez o bem. Deu pão aos famintos, curou os cegos, os surdos e até os paralíticos andaram. Ressuscitou o amigo Lázaro e a filha de Jairo. 
Os grandes tinham inveja. Não acreditavam nos Seus milagres. Jesus fazia-lhes frente pela eloquência das Suas palavras. A Sua presença era agradável. Tinha firmeza e autoridade. Até os demónios O temiam e Lhe obedeciam.
Jesus foi o agitador das multidões. As povoações seguiam-No e todos tinham alguma coisa para Lhe pedir. A Sua bondade não tinha limites. 
Cantaram e aclamaram-No no Domingo de Ramos e Jesus beijou as crianças. 
- “Deixai vir a mim os pequeninos porque é deles o Reino dos Céus”

Ele sabia quem era o traidor. Olhou-o nos olhos e disse-lhe: 
- “ É com um beijo que me entregas? Melhor seria que não tivesses nascido Judas porque o teu castigo será grande”.
Como um cordeiro Jesus permite que os homens O maltratem e O torturem. Permite que O troquem por um grande salteador e depois que O crucifiquem.
Jesus vê a justiça lavar as mãos da Sua morte. Afinal ninguém defende os inocentes, nem os justos. É mais seguro ficar do lado dos poderosos.
Perto do fim Jesus grita com as forças que ainda lhe sobram: - “Pai perdoa-lhes! Eles não sabem o mal que fazem”
 Jesus sofreu, amou e perdoou.

Ninguém poderá compreender aquele sofrimento. Jesus ofereceu-se ao Pai em troca do perdão para os pecados dos homens. 
Sepultaram-No e guardaram-No, mas Ele venceu a morte, ressuscitando de entre os mortos e agora vive glorioso entre as estrelas do Céu. 
Jesus ressuscitado fortificou os seus discípulos na fé e na esperança e enviou-os a ensinar este amor e este perdão distribuído gratuitamente por todos nós até ao fim dos tempos.

Luíscoelho,2014/04/20