quinta-feira, 8 de maio de 2014

B I - Cartão de Cidadão

Em Janeiro passado, o meu Cartão de cidadão caducou. Não reparei na validade e por pouco me safei de uma série de peripécias muito desagradáveis. 
Quando dei conta da situação, dirigi-me aos respectivos Serviços. Já na mesa de atendimento, a funcionária explicou-me que o meu nome de origem,  no assento de nascimento, está  - Luiz - com um Z.
Reclamei, dizendo-lhe que sempre me ensinaram desde a Escola Primária e ao longo de toda a vida que o meu nome foi sempre - Luís - com um S.

A funcionária disse que eu poderia continuar a escrever como sempre fiz, Luís, usando o S, mas no BI - Cartão de Cidadão - iria aparecer Luiz com Z.  
Explicou-me ainda que agora e baseadas numa Portaria eram obrigadas a respeitar a grafia original do assento do Registo de nascimento.
- Foi sempre assim, retorqui-lhe. O erro foi do senhor que escreveu Luiz com o Z em 1947. Deviam corrigir o livro e não alterar o nome das pessoas, agora passados sessenta e muitos anos. Isto é absurdo...
Com muita paciência explicou-me que poderia manter a grafia ,como estava e vinha fazendo, mas que deveria ir à outra sala e pedir às funcionárias que eu queria continuar a ser e a escrever Luís. 

Comecei a ficar confuso e a duvidar da tal "Portaria não sei das Quantas". Revoltado, apenas pensava que isto são coisas de quem não tem mais nada de útil para fazer na vida, senão complicar a vida das pessoas de bem.
- Olhe menina eu não vou a lado nenhum. Querem assim... façam assim...como mandam esses senhores que fazem as leis. Não respeitam as pessoas. São uns "bardameKos" que não sabem fazer nada de útil na vida.  

Passado dias recebi um ofício para ir levantar o Cartão e agora sou uma pessoa diferente. Não sei se chego a ser Português Arcaico, Romano, Árabe...ou outro do lado de lá... Talvez agora seja Grego e com enormes dívidas públicas que eles inventam todos os dias...
Agora fica assim, mas quando for renovar o Cartão, daqui a cinco anos, haverei de ser Luís, com um S bem português que não torce nem se amola, duro e puro como a alma lusitana que se estende Aquém e Alem Mar, mas nunca por uma Europa de "bardamerKos" sugando aos pobres para encher os ricos...
Luíscoelho 
Maio/2014