
(foto google)
Um dia, compraram uma bicicleta. Tinham vendido um bezerro e, com aquele dinheiro,
compraram a bicicleta. O velho saiu cedo na carreira da manhã. Quando voltou,
já vinha montado na sua burrinha nova. Lá na aldeia já todos tinham uma. Aos
Domingos era bonito ver os rapazes a passear com elas. Parece que gostavam de
as mostrar às raparigas e às outras pessoas.
Os
garotos quando viram o pai chegar a casa montado na bicicleta, cercaram-no e
saltando de alegria diziam:
- Eu
quero ir...Eu também quero ir...Gritavam todos.
- Agora
não pode ser, respondeu-lhes.
Mais
logo, na hora da sesta, vamos dar uma volta, se vocês se portarem bem. Dito
isto, foi guardá-la no corredor perto da sala.
Não
precisava de fazer mais avisos. Sabia de antemão que nenhum catraio teria coragem de lhe mexer.
Logo que
virou costas o mais velho foi sentar-se em cima dela. Apoiado na parede
esticava as pernas para chegar aos pedais.
Nos dias
seguintes, tendo ficado sozinhos em casa, abriram as portas e guiaram a
bicicleta até à rua mas sempre com muito cuidado para não estragarem nem
partirem nada.
Havia um
carreiro estreito que contornava o quintal passando pela frente da casa. Era um
sítio bom para aprender a dar uma volta. O mais velho sentou-se no selim
e apoiado na parede conseguiu pôr-se em andamento. Andou alguns
metros guiando sempre e fazendo força ora num pé ora no outro de modo a
equilibrar-se.
Gostava
de o ver lá em cima, gingando o corpo de um lado para o outro para conseguir
dar a volta aos pedais. Os outros corriam descalços atrás dele, fazendo uma
grande algazarra.
- Agora
sou eu, dizia um, e depois sou eu, dizia outro. E todos à vez quiseram
experimentar mas, nenhum conseguia chegar aos pedais. Foi preciso o irmão mais
velho segurar a bicicleta e levá-los a dar um pequeno passeio.
Como os
mais pequenos não conseguiam alcançar os pedais começaram os treinos por baixo
do quadro. Eram posições de verdadeiros acrobatas. Seguravam as mãos ao
guiador e apoiando-se com um pé no pedal e outro no chão iam tentando
equilibrar-se até conseguirem pedalar com os dois pés.
Depois de
muitas tentativas lá conseguiam chegar até ao fundo do carreiro e voltar sem
cair no chão.
Era uma
grande vitória.
Depois
perdia-se o medo ou ganhava-se o jeito. Foram muitas as cambalhotas que os
treinaram para corridas seguintes.
Luíscoelho
Agosto/2014
Luis, esta história me levou ao passado... Também o meu pai tivera uma bicicleta e nós os filhos ( sete) aprendemos a andar desta forma. Eu, ainda bem pequena não alcançava os pedais e aprendi assim como você descreve, por baixo do quadro.
ResponderEliminarObrigada por esta lembrança tão boa!
Beijocas.
~
ResponderEliminar~ ~ Este doce e saudoso texto fala-nos de um tempo em que fomos meninos curiosos, desejosos de saber. Com mais ou menos acrobacias, aprendemos a andar de bicicleta, a dominarmos o medo e a sermos corajosos.
~ ~ Alegres e felizes episódios infantis, muito bem descritos, A amizade dos irmãos foi uma grande ventura.
~ ~ ~ Dias plácidos e inspirados, nesta venerável idade. ~ ~ ~
~ ~ ~ ~ Que Deus o proteja, Luís ~ ~ ~ ~
Que maravilha e sabes que faz muito bem te ler! Adoro! abração,chica
ResponderEliminarNunca possuí uma bicicleta mas andei muito nas dos meus irmãos, levando muitos tombos, no início. Interessante, é que quando acessei seu blog, estava passando uma reportagem na TV, no programa Bom dia Brasil, sobre o grande aumento do uso da bicicleta, pelas pessoas que saem para trabalhar, nas grandes cidades. As prefeituras estão investindo em ciclovias, para evitar acidentes, incentivando o uso desse importante veículo que, além de econômico, não polui e ainda serve como exercício físico. Valeu, Coelho, beijo...!
ResponderEliminarSó quem viveu estas coisas é que consegue escrever sobre a memória que guarda delas. E bem
ResponderEliminarEste teu belo texto fez recordar espaços da minha infância. Nunca tive bicicleta mas quando arranjava uns troços alugava uma e corria que nem doido.
ResponderEliminarTens essa magia de me transportar a tempos porque ainda suspiro.
Magnífico, amigo Luis!
Abraço
Estimado Luis
ResponderEliminarEl blog de la Abu cumpliendo 7 años en el espacio virtual.
Gracias por haber sido participe en estos años, acompañando al mismo y muchas desus 1534 entradas
Mis deseos para quienes se acercaron, en distintos momentos y sentires, es que vuestro camino se vea iluminado por logros y proyectos realizados, que la Luz los acompañe en el diario transitar.
Gracias por siempre estar !!!!!!!!
Cariños
Abu
Mais uma bela narrativa , memória de outros tempos.
ResponderEliminarAdorei.
Um abraço
E se eu dissesse que ainda há-de andar lá por casa uma bicicleta igual à da foto??
ResponderEliminarAquele abraço, votos de bfds
Ai os miúdos! As crianças têm uma iniciativa e imaginação que os adultos
ResponderEliminarvão perdendo com o tempo. A afoiteza para arriscar vai desaparecendo à
medida que se vai ganhando a noção da responsabilidade. Eu, por exemplo,
tenho uma grande vontade de andar de bicicleta, mas qual quê, sempre
que me sento no selim lá vem o medo de cair, de ir contra um carro ou uma
parede, enfim uma vergonha... :)
Gostei muito do seu relato. A substituição do burro pela bicicleta, um sinal dos
tempos, um progresso. Neste caso, bastante saudável porque permite ao mesmo
tempo um apreciável exercício físico.
Meu amigo, aqui, tanto na prosa como na poesia "tá-se bem", muito bem
mesmo. :)
Parabéns!
Grande Abraço
Olinda
Oi luis, meu pai era rico e pedi-lhe uma bicicleta, era para enfeitá-la para o desfile da cidade, fui dar uma volta no jardim e a hora que fui levantar o assento veio junto, eu perdi o equilíbrio e caí na praça. Fiquei com o rosto todo sujo de sangue. Levei a bicicleta pra casa, quebrei-a em pedacinhos. Nisso meu pai sentiu minha falta na cidade e me viu sangrando e eu mostrei: olha o que fiz com seu presente, seu pão duro, quando eu morrer enrole no plástico e enterre na terra fria. Ele até chorou.
ResponderEliminarMandou eu tomar banho que voltava logo para ir à farmácia, trouxe uma bicicleta novinha e não quis ir a farmácia, pois foi só um cortinho e sai bastante sangue e com uma mão esparramei no rosto. Eu era terrível
Todos teu um causo para conta, Adorei o seu
Beijos Lua Singular
Um dia, aprendi a andar de bicicleta.
ResponderEliminarLá em África, onde vivi a minha infância!
Eu nunca tive uma bicicleta,
aprendi e andava nas bicicletas dos outros,
nos tempos em que brincar na rua era possível, sem perigos, sem medos...
Hoje os meus netos têm tudo, outros tempos...
Por falar em netos:
sinto que já não tenho o meu BEBÉ...faz hoje 8 anos...
Nestes teus oito anos tens sido uma força para eu continuar!
Só peço muitos anos de vida para te ver crescer com muita saúde, amor e felicidade...
e, logicamente hoje todos
os meus pensamentos e imagens
vão de encontro ao que vivi nestes 8 anos com ele,
daí que tenha feito um post sobre a nossa vivência,
no blog:
http://pensamentosimagens.blogspot.pt/
Mais uma bela história Luís. Parabéns!
Gostei.
Beijos da Tulipa/Ester
Bela crónica de um tempo fantástico quando havia/há ainda um mundo inteiro a conquistar.
ResponderEliminar"Foram muitas as cambalhotas que os treinaram para corridas seguintes". Método válido que se aprende em pequeno e ficou/fica para toda a vida.
Oi Luís! Com a leitura deste teu belo texto, viajei ao passado quando alugava bicicletas para adquirir a prática, pois tinha uma promessa de emprego na Western como estafeta, e, tive depois, que trabalhar seis horas diárias em cima de uma bicicleta.
ResponderEliminarAbraços,
Furtado.
Através de teus textos volto à infância minha e também de meus meninos, como é gostoso imaginar as cenas que descreves, como é bom lembrar, obrigada Luis, abraços Luconi
ResponderEliminar
ResponderEliminarSempre me admirou a facilidade com que as crianças aprendem a andar de bicicleta. A mim, que nunca fui capaz de arriscar uns tombos, após um acidente sofrido por um irmão. Isto mesmo tendo alguma apetência para o desporto. Uma caixa de lata com cerca de oito dezenas de medalhas e algumas taças (de latão) conquistadas na adolescência/juventude como atleta do S.C. de Braga na modalidade de atletismo, são prova disso.
Um beijo
Lídia
Consegues transformar um facto banal - a compra de uma bicicleta, numa narrativa plena de interesse.
ResponderEliminarExcelente texto e foto que me fez recuar no tempo!
ResponderEliminarEsta é uma bicicleta igual a do meu pai, na qual eu aprendi a andar por baixo do quadro, coisa que o meu pai não gostava, dizia que era coisas para rapazes, tendo razão, lá na minha Aldeia as raparigas não andavam de bicicleta.
Boa semana e um excelente Setembro.
Beijinho e uma flor
Meu amigo, quase todos passamos por isso, acabando com uma canela ou um joelho esfarrapado.
ResponderEliminarAprendi depressa, mas a bicicleta era grande, como neste caso. Não havia pasta para comprar um à medida.
Mas havia um, o de Quires, que tinha uma que alugava a tantas voltinhas por cindo tostões... assim foram passando os anos até que por fim tive a minha bicicleta ademais de competição. Sim, também fiz alguma asneira dessas! De nada serviu, não tinha que ser corredor, mas conheci ao Peixoto Alves em Aldoar...
Olá, Luis!
ResponderEliminarUma bela narrativa que tem o condão de nos transportar aos tempos de outrora e recuperar memórias que ainda resistem e continuam a viver em nós.
Aprendi a andar de bicicleta, já tinha quinze anos. Foi numa estrada de areia. A determinada altura a bicicleta aproximou-se, contra a mão, de um barranco. Só tive tempo e saltar. A biicicleta foi para um lado e eu para o outro. Caímos lá em baixo no restolho. Daí para a frente foi sempre a andar... Eu e os meus amigos alugávamos as bicicletas ao dia e deslocávamo-nos em grupo até Carrazeda de Ansiães e a Vilar Flor que ficavam a cerca de 10 e 15 km respectivamente.
Um abraço,
Jorge
Na minha geração , bicicleta era para rapazes...pelo que não sei bicicletar!
ResponderEliminarBoa semana :)
Através das tuas memórias viajamos no tempo e nos voltamos às nossas também e como isto faz bem! Quanta riqueza em detalhes nesta narração e como sempre com aquela mensagem de sabedoria nas suas entrelinhas. Grande abraço!
ResponderEliminar