sábado, 25 de outubro de 2008

Lirios na Lama

É um livro simples com relatos da vida diária na Prisão Escola de Leiria. O seu Autor é Aurélio Galamba de Oliveira que durante muitos anos foi capelão naquela Instituição pública.
O autor usa uma escrita simples mas muito cuidada de modo que todos o possam ler e entender.
A Prisão Escola de Leiria, situa-se na Quinta do Lagar de El-Rei em Leiria
Começou a funcionar em 1947 com 270 rapazes.
Durante todos estes anos o Padre Aurélio Galamba viveu os dramas e as revoltas de muitos jovens que ali cumpriram penas pelos seus delitos.
Fez do seu trabalho um campo de Missão e foi o amigo, o confidente, o pai e o professor daqueles que lhe abriram as portas do coração.
Não há pinturas nem idealismos. São relatos de acontecimentos reais vividos na primeira pessoa.
O Padre Galamba vive intensamente os problemas de todos e ate daqueles ,que fogem dele, e que lhe enviam algumas piadas indirectas. Consegue um trabalho dinâmico e coordenado.
Um grupo de católicos junta-se a ele e fundam o grupo dos Samaritanos. O seu lema é levar mais amizade a todos os que se encontram detidos e também ensina-los a serem homens regenerados .
Alguns dias por semana ensinam Catequese e preparam-nos para o Baptismo e a primeira comunhão.
A sua psicologia é encantadora. Sabe ver, ouvir e ler em pequenas palavras e até em gestos a necessidade que alguns mais rebeldes vivem interiormente.
Sabe dar-lhes a palavra certa e edificá-los para que olhem a vida com outro olhar e outra alegria. Nunca forçou ninguém a ter de ouvi-lo ou a exigir-lhe algo em troca. Apenas teve a preocupação de os tornar seus amigos e de os convencer a serem verdadeiros homens, capazes de viver com regras e de mostrar merecer toda a confiança que os guardas e toda a organização depositava neles.
Aos rapazes a quem era concedido o grau de confiança era para si também uma vitória.
Acompanhou-os em partidas de futebol, em passeios aos Domingos pelos campos.
É bom recordar todos aqueles anos em que também ajudei o Padre Galamba naquelas tarefas e também semeámos a alegria no rosto jovem de todos.
De gratidão resta-nos uma lembrança do dever cumprido, por dar um pouco do nosso tempo e levar um novo rumo àquelas vidas perdidas e muitas abandonadas pela própria família.
É um livro que se lê com muito agrado pois o seu autor relata-nos os acontecimentos de uma rotina diária cumprindo todas as regras de modo a que não houvesse conflitos com a Direcção nem com os próprios reclusos.
O livro dá-nos ainda o testemunho de alguns que nunca se esqueceram desta passagem e dos amigos que lhes levaram horizontes de esperança.