quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Vida em movimento

Não sei controlar estes pensamentos que correm no meu interior, formando um caudaloso rio de emoções com quedas de água vertiginosas ferindo as pedras nas sua passagem repentina.

Às vezes paro e pergunto, porque me ocupo destes pensamentos colados como lapas no meu peito.....???

Porque me deixo molhar nestas correntes que aumentam de velocidade a toda a hora e me deixam numa carência aflitiva por uma explicação ? 
Porque procuro uma palavra amiga ou um pouquinho de afecto dos nossos laços familiares.........??

Não encontro nada...nada que me faça renovar ânimo e ultrapassar estas correntes que aumentam o sofrimento silencioso. Teimamos em esconder este desânimo numa qualquer curva do rio onde possa recompor-se e renovar-se.

Como mudaria todas as coisas se pudesse entrar pelas tuas portas abertas e mostrar-te a dor que me traz a tua indiferença e o silêncio em que te escondes assim como os teus projectos.

Se pudesse parar esta corrente e falar das nossas coisas, da saudade que me mata com a tua distância, do desejo de te voltar a ouvir nos sons da viola, dos projectos e das dificuldades.

Prendo-me naqueles pensamentos de que não queres ouvir-me e fazes a tua passagem apressada não criando um espaço ou uma hipótese de um pequenino diálogo.....

Pressinto a tua corrida mais rápida, esquivando-te às perguntas que não queres ouvir nem dar-nos uma resposta que nos tranquilize.
Vejo-te passar na voragem do tempo que cada vez nos afasta mais tornando o nosso silêncio assustador.

Onde foi que errei e porque te escondes.....???
Quando damos tudo e depois recebemos indiferença algo estará errado.

As águas deste rio tendem a transbordar. É a tua mãe, com todo o cuidado, vai dizendo coisas que me tiram as palavras e me fazem mergulhar nesse rio turbulento. Palavras que me amarram às margens, esperando aquela oportunidade do nosso reencontro.

Quando...de que modo e quais os efeitos..........??? 

Os filhos deste tempo, tem tempo para os amigos, o cinema e os concertos, mas evitam os pais. Falam-lhes com aspereza e pensam que são eles os donos do mundo e do destino.

Onde errámos e te soltámos as asas para voares tão orgulhosamente livre...esquecendo o nosso esforço para te acompanhar ....sem que nada te faltasse...
Luíscoelho