sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Espelhos de luar




Olhei-me no espelho
Frio e silencioso da noite
Naquele lago agitado da vida. 
A Lua iluminou as sombras
Altas, confusas, esquecidas
E os pensamentos confundiram-se
Num presente do passado feito.
Os meus ouvidos ouviam 
Tantas dores num modo imperfeito
Reportagem das coisas que fiz,
As que disse e também as que vi,
As que não fiz e devia ter feito.
Os pés prenderam-se nas margens
Do passado esquecido ao presente vivido
E as mãos soltaram as imagens
Que fugiram lentas do olhar pesado
No espelho de água e luar formado


Luíscoelho