quarta-feira, 20 de julho de 2011

Acordo as manhãs


(foto google)


Acordo nas manhãs leves de sono
E procuro no Sol a esperanaça.
Embebedam-me os raios de luz
Que me possuem no desejo de viver.
Olhar vivo, ávido e atrevido
Busca a esperança a nascente
E reforça a caminhada no presente.
Em mim se cruzam e prolongam
Os dias feitos de sol e ventos
Aqueles que agarro nos pensamentos
E ácidos ou formosos me assentam 
E no coração de sonhos se levantam. 
Em cada dia e por cada acontecer
Sigo a luz que me faz de vida renascer
Abro os olhos ao amor e benquerer
Prolongando mais a cor de entardecer. 
Luíscoelho


Dedico estes simples versos aos meus amigos e seguidores 
Para todos um abraço dentro do coração.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Salazar

 
(Foto google)

Em 1967, 12 e 13 de Maio, veio a Fátima em peregrinação oficial o então chefe máximo da Igreja Católica Paulo VI. Foram das primeiras saídas apostólicas, que os Papas de Roma então iniciaram.

Era  aguardado com muita ansiedade e com um misto de alegria e fé do povo português.
Desceu no aeroporto militar de Monte Real e fez toda a viagem num carro descapotável até ao Santuário de Fátima, onde uma multidão de portugueses e estrangeiros o aguardavam. 

Todas as ruas e estradas, por onde o Papa passou, de Monte Real até Leiria e depois até ao Santuário de Fátima, foram enfeitadas pelo povo das aldeias com bandeirinhas e lindos cordões feitos de verdura natural - alecrim, rosmaninho, louro e alfazema.

O dia estava de chuva, mas logo que o Papa desceu do avião e depois durante toda a viagem até Fátima o tempo manteve-se limpo e sem chuva.
Este acontecimento foi considerado por muitos um verdadeiro milagre. 

Os nossos políticos compareceram em massa à recepção de tão ilustre figura - o Papa.
Salazar, com a viatura blindada estacionou no pátio interior da Casa de N. Senhora das Dores que circunda o Santuário do lado nascente e é pertença do mesmo. 

Sua Santidade, Paulo VI, também pernoitou neste edifício, como o fizeram posteriormente os Papas, João Paulo II e Bento XVI, nas viagens apostólicas que se seguiram anos mais tarde.
Na manhã do dia 13, quando o Papa se dirigia para a Capelinha das Aparições, os alunos do Seminário de Leiria, que faziam o coro musical das peregrinações do Santuário, cercou aquele espaço interior, para o ver  o Papa de perto e receber uma bênção especial.

Um deles, para ver melhor, subiu para o patamar lateral do carro de Salazar, guardado sempre por vários seguranças. Não se apercebeu do risco que este acto lhe podia valer, nem imaginava a origem ou o valor daquela viatura.
Foi retirado de lá e repreendido severamente.

Recordo-o com a sua cara vermelha e os seus olhos de simplicidade e desconhecimento, flamejando de medo ou de algo ainda pior.
Desculpem, eu não sabia.....foi tudo quanto lhe ouvi dizer e que foi tido em conta pelos seguranças para concluir este incidente. Estava muito longe de imaginar que aquela viatura era do então primeiro ministro português.

Salazar nestes anos atingiu o máximo da sua impopularidade. A guerra nas ex-colónias ultramarinas e a fome e miséria do povo em geral. A Pide, polícia política, e as prisões por qualquer motivo, tornaram Salazar num homem odiado pela maioria do povo.

No ano seguinte, este jovem recebeu em casa um envelope da Presidência do Conselho de Ministros. Ele tinha atingido a maioridade. Deveria ir votar, levando consigo este envelope, onde constavam apenas os nomes dos que já ocupavam o poder há cerca de quarenta anos. Eles procuravam controlar tudo e todos.
Votavam apenas os homens, chefes de família e mancebos com idade superior a 21 anos.

No encontro de Salazar com Paulo VI, ouvi contar uma frase marota .
- Tantas casas novas e bonitas no seu país !...
- Estamos a trabalhar para conseguirmos fazer ainda melhor - respondeu Salazar, primeiro ministro português.

Aquilo que mais me marcou na homilia do dia 13 de Maio de 1967 foi aquela frase repetida por Sua Santidade:
- Homens, sede homens. Sede homens cordatos e pacíficos. Sede homens de bem, de paz. Sede homens de Justiça.....um resumo que conservo de memória.

(Para os que quiserem ler a homilia original, poderão fazê-lo no final deste pequeno apontamento) 

As cerimónias terminaram com a Procissão do Adeus. Milhares de lenços brancos agitavam-se no ar, saudando Nossa Senhora e o Papa.
A saída de todas as figuras públicas do Santuário fez-se em silêncio e discretamente para que ninguém se apercebesse destas viaturas nem dos seus ocupantes.

O povo voltou às suas aldeias pelas mesmas estradas e caminhos onde haviam passado dias antes.
Carregavam os cestos do farnel já vazios, mas a alma cheia de amor a Nossa Senhora a quem entregaram todas as sua preocupações numa mistura de fé e de interesses pessoais.
Luíscoelho




SANTA MISSA NA BASÍLICA DE FÁTIMA
HOMILIA DO PAPA PAULO VI
Sábado, 13 de maio de 1967

Veneráveis Irmãos e dilectos Filhos,
Tão grande é o Nosso desejo de honrar a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Cristo e, por isso, Mãe de Deus e Mãe nossa, tão grande é a Nossa confiança na sua benevolência para com a santa Igreja e para com a Nossa missão apostólica, tão grande é a Nossa necessidade da sua intercessão junto de Cristo, seu divino Filho, que viemos, peregrino humilde e confinante, a este Santuário bendito, onde se celebra hoje o cinquentenário das aparições de Fátima e onde se comemora hoje o vigésimo quinto aniversário da consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria.

É com alegria que Nos encontramos convosco, Irmãos e Filhos caríssimos, e que vos associamos à profissão da Nossa devoção a Maria Santíssima e à Nossa oração, a fim de que seja mais manifesta e mais filial a comum veneração e mais aceite a Nossa invocação .
Nós vos saudamos, Irmãos e Filhos aqui presentes, a vós especialmente cidadãos desta ilustre Nação que, na sua longa história, deu à Igreja homens santos e grandes, e um povo trabalhador e piedoso; a vós peregrinos, que viestes de perto e também de longe; e a vós fieis da santa Igreja católica que, de Roma, das vossas terras e das vossas casas, espalhados por todo o mundo, estais agora espiritualmente voltados para este altar. A todos, a todos vós Nós saudamos. Estamos agora a celebrar, convosco e para vós, a santa Missa e, todos juntos, estamos reunidos, como filhos de una família única, perto da Mãe celeste, para sermos admitidos, durante a celebração do santo Sacrifício a uma comunhão mais estreita e salutar com Cristo, nosso Senhor e nosso Salvador.

Não queremos excluir ninguém desta recordação espiritual, porque é vontade Nossa que todos participem das graças que estamos agora a impetrar do céu. Todos vós tendes um lugar no Nosso coração: vós, Irmãos no Episcopado; vós, Sacerdotes e vós, Religiosos e Religiosas, que, com amor total, vos consagrastes a Cristo; vós, Famílias cristãs; vós, Leigos caríssimos, que desejais colaborar com o Clero na propagação do reino de Deus; vós, jovens e crianças, que desejaríamos que estivesseis todos à nossa volta; e todos vós que vos sentis atribulados e cansados, vós que sofreis e chorais, e que, certamente, vos recordais como Cristo vos chama para perto de si, a fim de vos associar à sua paixão redentora e vos consolar.

O Nosso olhar abrange ainda todos os cristãos não católicos, mas irmãos nossos ao baptismo; mencionamo-los com esperança de perfeita comunhão nessa unidade que o Senhor Jesus deseja. E o Nosso olhar abraça o mundo todo: não queremos que a Nossa caridade tenha fronteiras e, neste momento, estendemo-la à humanidade inteira, a todos os Governantes e a todos os Povos da terra. Vós sabeis quais são as Nossas intenções especiais que desejamos caracterizem esta peregrinação. Vamos recordá-las aqui, a fim de que inspirem a Nossa oração e sejam luz para todos aqueles que Nos ouvem.

A primeira intenção é a Igreja: a Igreja una, santa, católica e apostólica. Queremos rezar, como dissemos, pela sua paz interior. O concílio Ecuménico despertou muitas energias no seio da Igreja, abriu perspectivas mais largas no campo da sua doutrina, chamou todos os seus filhos a uma consciência mais clara, a uma colaboração mais íntima, a um apostolado mais activo. Queremos firmemente que tão grande benefício e tão profunda renovação se conservem e se tornem ainda maiores. Que mal seria, se uma interpretação arbitrária e não autorizada pelo magistério da Igreja transformasse este renascimento espiritual numa inquietação que desagregasse a sua estrutura tradicional e constitucional, que substituísse a teologia dos verdadeiros e grandes mestres por ideologias novas e particulares que visam a eliminar da norma da fé tudo aquilo que o pensamento moderno, muitas vezes falto de luz racional, não compreende e não aceita, e que mudasse a ânsia apostólica de caridade redentora na aquiescência às formas negativas da mentalidade profana e dos costumes mundanos. Que desilusão causaria o nosso esforço de aproximação universal, se não oferecesse aos Irmãos cristãos, ainda de nós separados, e aos homens que não possuem a nossa fé, na sua sincera autenticidade e na sua original beleza, o património de verdade e de caridade, de que a Igreja é depositária e distribuidora?

Queremos pedir a Maria uma Igreja viva, uma Igreja verdadeira, uma Igreja unida, uma Igreja santa. É vontade Nossa rezar convosco a fim de que as esperanças e energias suscitadas pelo Concílio, possam trazer-nos em larguíssima escala os frutos daquele Espírito Santo, que a Igreja amanhã celebra na festa de Pentecostes e do qual provém a verdadeira vida cristã; esses frutos enumerados pelo Apóstolo Paulo: « caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e temperança » (Gál. 5, 22). É vontade Nossa rezar a fim de que o culto de Deus hoje e sempre conserve a sua prioridade no mundo, e a sua lei dê forma à consciência e aos costumes do homem moderno. A fé em Deus é a luz suprema da humanidade; e esta luz não só não deve apagar-se no coração dos homens, mas, pelo contrário, deve reacender-se por meio do estímulo que lhe vem da ciência e do progresso.

Este pensamento, que anima e estimula a Nossa oração, leva-Nos a pensar neste momento naqueles países: em que a liberdade religiosa está praticamente suprimida e onde se promove a negação de Deus, como se esta representasse a verdade dos tempos novos e a libertação dos povos. Mas, a verdade é bem diferente. Rezamos por esses países; rezamos pelos nossos irmãos crentes dessas nações, a fim de que a íntima força de Deus os sustente e a verdadeira liberdade civil lhes seja concedida.
E, assim, passamos à segunda intenção deste Nosso peregrinar, intenção que enche a Nossa alma: o mundo, a paz do mundo.

Sabeis como a consciência da missão da Igreja no mundo, missão de amor e de serviço, se tornou, no dia de hoje, depois do Concilio, bem vigilante e bem activa. Sabeis como o mundo se acha numa fase de grande transformação por causa do seu enorme e maravilhoso progresso, na consciência e na conquista das riquezas da terra e do universo. Mas, sabeis também e verificais que o mundo ,não é feliz nem está tranquilo. A primeira causa desta sua inquietação é a dificuldade que encontra em estabelecer a concórdia, em conseguir a paz. Tudo parece impelir o mundo para a fraternidade, para a unidade; no entanto, no seio da humanidade, descobrimos ainda tremendos e contínuos conflitos. Dois motivos principais tornam, por isso, grave esta situação histórica da humanidade: ela ,possui um grande arsenal de armas terrivelmente mortíferas, mas o progresso moral não iguala o progresso científico e técnico. Além disso, grande parte da humanidade encontra-se ainda em estado de indigência e de fome, ao mesmo tempo que nela se acha tão desperta a consciência inquieta das suas necessidades e do bem-estar dos outros. É por este motivo que dizemos estar o mundo em perigo. Por este motivo, viemos Nós aos pés da Rainha da paz a pedir-lhe a paz, dom que só Deus pode dar.

Sim, a paz é dom de Deus, que supõe a intervenção de uma acção do mesmo Deus, acção extremamente boa, misericordiosa e misteriosa. Mas, nem sempre é dom miraculoso; é dom que opera os seus prodígios no segredo dos corações dos homens; dom que, por isso, tem necessidade da livre aceitação, depois de se ter dirigido ao céu, dirige-se aos homens de todo o mundo: dizemos neste momento singular, procurai ser dignos do dom divino da paz. Homens, sede homens. Homens, sede bons, sede cordatos, abri-vos à consideração do bem total do mundo. Homens, sede magnânimos. Homens, procurai ver o vosso prestígio e o vosso interesse não como contrários ao prestígio e ao interesse dos outros, mas como solidários com eles. 

Homens, não penseis em projectos de destruição e de morte, de revolução e de violência; pensai em projectos de conforto comum e de colaboração solidária. Homens, pensai na gravidade e na grandeza desta hora, que pode ser decisiva para a história da geração presente e futura; e recomeçai a aproximar-vos uns dos outros com intenções de construir um mundo novo; sim, um mundo de homens verdadeiros, o qual é impossível de conseguir se não tem o sol de Deus no seu horizonte. Homens, escutai, através da Nossa humilde e trémula voz, o eco vigoroso da Palavra de Cristo: « Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra, bem aventurados os pacíficos, porque serão chamados fìlhos de Deus ».
Vede, Filhos e Irmãos, que aqui Nos escutais, corno o quadro do mundo e dos seus destinos se apresenta aqui imenso e dramático. É o quadro que Nossa Senhora abre aos Nossos olhos, o quadro que contemplamos com os olhos aterrorizados, mas sempre confiantes; o quadro do qual Nos aproximaremos sempre - assim o prometemos - seguindo a admoestação que a própria Nossa Senhora nos deu: a da oração e da penitência; e, por isso, queira Deus que este quadro do mundo nunca mais venha a registar lutas, tragédia e catástrofes, mas sim as conquistas do amor e as vitórias da paz.

(Texto copiado do google)
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domingo, 19 de junho de 2011

Agosto


(foto google)


As férias do Verão eram sempre nos meses de Julho, Agosto e Setembro. Não havia Colónias de Férias nem outras organizações para ocupar algum tempo às crianças.
Afinal, eram apenas férias escolares, porque no restante eram tempos pesados demais para elas.


Os pais obrigavam-nos a levantar-se ainda mais cedo e a seguirem com eles para os campos onde lhes exigiam tarefas duras e cansativas. 
Uma destas tarefas era a de tocar os bois à nora. 


Quase todos os dias, de manhã e à tarde, atrelavam as vaquinhas a um madeiro comprido e que estava ligado à nora do poço. Durante duas horas ou mais, andavam seguindo o passo dos bois, sem nunca os deixar parar, fazendo a nora girar, puxando a água do fundo do poço.


Não havia sombras. O Sol e o calor parece que os enlouquecia. Não havia electricidade nem moto-bombas. Toda esta tarefa era para regar a horta e o milheiral que sem água secavam.
Andavam mecânicamente. Enxotavam as moscas e os moscardos que vinham dos animais para eles. Era uma luta desigual. Aqueles insectos levantavam voo, mas voltavam logo ao mesmo sítio. Eram às dezenas e as ferroadas doíam.


Alguns dias, ficavam em casa entregues a si próprios e embora lhes fossem dadas tarefas para fazer, ainda tinham tempo para as suas brincadeiras.
Nesses dias, ouvíamos os gritos de alegria dos filhos do Carraceno. Viviam um pouco mais acima do nosso lugar. Eram muitos e também muito traquinas.


A mãe dizia que eles eram bons até a comer e que nem era preciso servi-los. Sozinhos procuravam a panela da sopa e comiam até haver.
Muitas tardes dava gosto vê-los brincar. Eram as corridas a pé pela estrada fora.
- Vamos ver que chega primeiro !.........


Nessas horas, eles eram os donos de toda a estrada da Ameixoeira até ao Casal.
Havia pouco movimento. Quando ouviam o som de uma motoreta ou de algum carro, saltavam como pardais para a beira da estrada e outras vezes pelos terrenos laterais.   


A eles juntavam-se alguns primos e ainda a vizinhas. As filhas da Maria Freira.
Quando faziam aquelas procissões religiosas, tudo era levado muito a sério. Tinham uma imaginação prodigiosa. Uma boneca de trapos servia de santa e para a  transportar arranjavam quatro paus compridos com uma tábua no meio deles.


Com duas canas armavam uma cruz. Depois organizavam o cortejo com os voluntários. Um transportava a cruz e dois levavam o andor, como se fosse uma padiola.
Havia ainda os pagadores de promessas. Seguiam descalços  e outros de joelhos, mas o melhor eram os cânticos religiosos. 


As meninas sabiam tudo de cor e cantavam a plenos pulmões. Por vezes desafinavam, mas ainda assim, mantinham um compasso que lhes dava satisfação.
Depois de darem a volta pelas quatro casas ali em perto, regressavam ao ponto de partida.

Eram tardes em que reinava a imaginação e nem o calor sufocante os separava da brincadeira.
Mais tristes eram os funerais que improvisavam com um sapo ou outro animal que apanhassem.
Não havia cânticos, mas havia sempre que chorasse pelo morto chamando-lhe nomes queridos.


Caminhavam atrás da cruz e do caixão ora rezando ora chorando em direcção ao milheiral que servia de cemitério.
Os sinos eram feitos com canas verdes que atavam ao pessegueiro. O som saía da garganta a plenos pulmões - dalim...dalão... mais rápido ou vagaroso conforme a inspiração.
Eram tardes de plena actividade.

A procissão fez tudo o percurso. Quando abriram as duas telhas de canudo (telha romana), para o adeus final ao morto, o sapo saltou assustado e eles acabaram todos numa risota pegada.
Mais um que saltou para a liberdade.


Uma vez, a história foi pior. O Henrique, lembrou-se de brincar aos carvoeiros.
Faziam montinhos de ervas secas e cobriam-nos com terra. Depois pegavam-lhe fogo com um fósforo.  Ninguém sabe como, mas o palheiro que estava próximo começou a arder e foi uma confusão muito grande.


O palheiro eram grandes montes circulares de feno seco, colocado à volta de um pau que podia ir até aos quatro metros de altura por dois metros de circunferência.  Era um método tradicional de guardar a palha para alimentação do gado ruminante - bois, ovelhas ou o burro.


Vieram todos os vizinhos com pás e baldes de água para apagar o fogo.
A Avó gritou quanto pode por socorro e as chamas fizeram o resto.
Juntou-se ali quase toda a freguesia. 
Nunca mais os vi brincar aos carvoeiros. Esta foi uma lição que os marcou muito.


O pior estava para vir. 
O pai iria castigá-lo severamente.
Então, a mãe pediu para os tios esconderem o Henrique, lá em casa, até que o pai arrefecesse o mau humor. Era fácil bater-lhe e deixar-lhe marcas muito grandes. O pai quando batia tinha as mãos muito pesadas e facilmente descontroladas.
Assim aquela dor passou ao pai e ao filho bastou-lhe o susto que sofreu sem querer.
Luíscoelho


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Blogues


Rosa Negra











foto google


Hoje escrevo com maior simplicidade.
Escrevo como falando comigo próprio.
Tantas perguntas, tantos porquês....
Procurei saber as respostas.
Às vezes procuro ouvir-me.
Continuarei a interrogar-me.
Existem coisas que nunca se sabe porquê,
Nem quando, nem para quê
Depois existem aquelas coisas que nunca ficam claras.
Dúvidas eternas que farão parte de mim.
Acordei para este lado....Blogues e seguidores.....
Uns comentam, outros apenas passam.
Alguns são amigos. Ficam como seguidores. 
Outros passam como sombras.
Visito diariamente muitos blogues. 
Se gosto deixo uma mensagem.
Se não entendo ou se não faz o meu género guardo silêncio
Publico semanalmente um  artigo. 
Não guardo rascunhos, nem apontamentos.
As imagens vão surgindo.
Afago algumas arestas e cuido dos erros e repetições
Preocupa-me o tamanho do texto.
Procuro um final que se ajuste e uma boa mensagem. 
As publicações diárias exigem o tempo que não tenho.
Exigem a inspiração que por dias me abandona..
Política não me seduz. 
São mentirosos. Oportunistas.
Queiram desculpar-me por esta conversa comigo mesmo.
Acordei para este lado e escrevi, 
Pensamentos meus...
(um texto desalinhado)
Luíscoelho

terça-feira, 24 de maio de 2011

Amigos


Amigos meus, vida minha
Amor que fazemos ao vento
Caminhos do pensamento
Teias de fios e de linhas.
Tecendo amizade no tempo


Vidas nossas e amigos meus
Belas estrelas a brilhar
Raios que nos fazem amar
Na terra e tambem nos céus
Muitos amigos a recordar



Amigos são paz e bem 
São juventude e amor 
São conforto até na dor 
De todos e de ninguém
Amam com vida e calor


Amigos trago-os no peito
Presentes no coração
Dou-vos tudo o que me dão
Amor e muito respeito
Como a mais bela oração.
Luíscoelho


domingo, 15 de maio de 2011

15 de Maio de 2011

239.gif Esta imagem desapareceu e não sei como repô-la. As minhas sinceras desculpas.
Feliz aniversário!
Foto google

Recebi este postal de parabéns e ainda palavras muito simpáticas de todos os amigos da blogosfera
Para todos envio um abraço de agradecimento com a ternura de tantos anos já percorridos.
Acreditem hoje senti-me muito feliz por ver toda a familia e tantos amigos reunidos num único abraço.
Bem hajam.


Deixo ainda um poema que o Rodrigo me dedicou no seu blogue e que é de um poeta do concelho de Leiria.


Dedicatória

Fernando Miguel Bernardes é um poeta de Gandara dos Olivais. Há muito que não sei dele. Escreveu este poema que foi e é brilhantemente cantado por Manuel Freire. Não consegui encontrar forma de publicar a canção. Queria com este gesto mandar um abraço ao Luis Coelho que hoje comemora os seus 64 anos. Creio que este poema se enquadra perfeitamente no seu estilo de fazer poesia que vai publicando no LidaCoelho. Abraço Luis


Se poeta sou
Sei a quem o devo [bis]
Ao povo a quem dou
Os versos que escrevo [3]

Da sua vida rude
Colhi a poesia
Tentei quanto pude
Dar-lhe a melodia

E é nessa harmonia
Entre a forma e o fundo
Que eu desejaria
Ver florir o mundo

domingo, 1 de maio de 2011

As mães que tivemos

Recordo aquele dia em que voltaste a casa muito triste e com o azul do teu olhar molhado.
Havia obras no adro da nossa Igreja. Demoliram o cemitério antigo, onde os teus pais estavam sepultados. 

Parece que era uma campa rasa, sem nenhuma marca. Apenas vocês, os três filhos, fixaram o sítio.
Em silêncio e oração aguardaste que aquela terra passasse por um crivo e depois recolheste alguns ossos soltos que embrulharam num pano de linho branco.

Cada pessoa carregava os restos mortais dos seus. Depois da missa foram em procissão levá-los ao novo cemitério.

Recordaste a criança que viu partir a tua mãe naquela manhã de neblina.

Contavas que foste vê-la ao quarto, nessa manhã, e que ela se sentou na cama. À tarde desse dia, fechou os olhos num silêncio que fez anoitecer as vossas vidas.

Passados tantos anos recordo esse dia e as tuas lágrimas.

Pensava que eras diferente. Imaginava-te duro e que nunca choravas...
Nesse dia estavas diferente. Choravas pela tua mãe.

Foi assim que nos falaste da avó. Parece que ela não era como a minha mãe.
Sempre cuidaste da minha mãe com tanto carinho que mais não era possível.
A imagem da tua mãe estava para ti como a da minha mãe está hoje para nós.

Recordo-te a ti e à mãe, recordo a tua mãe e  teu pai e ainda os pais da minha mãe. Todos vivem nesse infinito que é Deus e em Deus ninguém morre.

A nossa mãe gerou-nos no seu seio sem prever como seriamos com os nossos defeitos e qualidades.
Não puderam escolher menino ou menina e ainda menos um futuro brilhante.

Elas, as  guerreiras, abraçaram-nos e amaram-nos como ninguém mais poderá fazer. Criaram laços que nos unem e que as tornam tão especiais todos os dias da nossa vida.

Para todas as Mães do mundo a minha sincera homenagem.
Que Deus vos guarde e que ninguém vos possa fazer mal,  nem matar os vossos meninos.
Luíscoelho