terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Amei-te a brincar

Posted by Picasa

Amei-te a brincar sem disso saber
Acabei amando sem mesmo querer
Procurando ver-te e querer-te bem
Em todos os recantos que a casa tem.
Amei-te a brincar e vou continuar
Não é por graça nem a destroçar
É viver a sério quando a vida vem
E tudo o que amamos tem sabor de bem
Trabalhando sempre com muito desvelo
Construindo ainda como o próprio selo
Deixando as marcas para o amanhã
E vivendo sempre de alegria sã.
Fui sincero com carinho e muita cortesia
Partilhando sempre toda aquela magia
Com tanto amor e maior alento
Que vida nos dá  em cada rebento.


A brincar se ama 
A brincar se constrói
Amando com persistência 
O amor que ama não doi

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Caminhos vazios


Caminhos vazios
No silêncio do tempo
Marcados pelos passos
Que se apagam lentos
Na passagem rápida
Destes momentos
Onde sopram vivos 
Todos os ventos

Meus gritos se vão
Nos ecos da voz
E na sombra das pedras 
Atapetando o chão
Meus cantos são ais
São tristes lamentos
São a dor que nos sai
De dentro do coração

Os caminhos são voz
O silêncio são os gritos
Que se apertam em nós
luiscoelho

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

manto estrelado

Olhei para o Céu perdido de azul
Na distância maior de que fui capaz
E vi as estrelas brilhantes e nuas
Mostrando-se sempre num brilho fugaz
Recordando os caminhos por onde andei
Me trazendo de volta aquilo que dei 


Encontrei a Lua muito devagarinho
Branca e simples de brilho esmaltado
Sacudindo  as nuvens com seu ar alado
Olhou-me de frente com muito carinho
Atirou-me um manto escuro estrelado
Para me esconder dentro destes versos
Onde moram as dores e todas as mágoas
Daqueles que choram os dias adversos


Escondido no manto me senti navegar
Bebi o conforto das estrelas no ar
Com a luz da lua sempre a namorar
luiscoelho

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

cata vento



Sou chuva e sou vento
Sou aragem e pensamento
Preso nas cordas
Que soltam o tempo
Embrulhado no frio do cata vento.

Sou uivo e sou grito
Do amor quando fico
Preso nos lençóis brancos
Desfazendo os encantos
De um  amor grande e rico

Sou água e sou gota
Sou lágrima marota
Que se esconde ao revés
Sou canto e encanto
Que se dá em marés

Sou tudo e sou nada
No vento que sopra
Os sonhos vazios
Nunca reencontrados.
luiscoelho

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Folhas caídas


Posted by Picasa
Folhas secas, acamadas
Em sombras silenciosas
Foram vidas passadas
Corridas de amor ansiosas
Gritos de liberdade
Foram som e tempestade
Em cada dia do tempo
Que fizeram o momento
Por dentro desta saudade.

Folhas secas, retorcidas,
Partidas e amassadas
Foram vidas com feridas
Na solidão escondidas
Abertas e não curadas.
Lembranças de amor 
Com vigor forte e bravio
Que sempre se foi vadio
Noutros tempos já passados

Memórias sentidas
Em folhas caídas 
De cores esquecidas

luiscoelho

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sementes

Semeei uma semente
Que cresceu e floriu
Foi gente e produziu
Outras vidas plenamente
Num constante amanhecer
Num querer sempre viver
Na minha vida e na tua
E a vida assim continua.


A semente é um segredo
Que encerra em si uma vida
Quando se solta sem medo
Sem amarras nem degredo
Germinam de  amor guarida
Novos frutos repetidos
Mais ricos e coloridos
Nascidos dentro de nós


Semear é arte do lavrador
Nascer é milagre da vida
Viver é o dom do amor
luiscoelho

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

laranjas



Posted by PicasaEm 1984, quando nasceu o meu primeiro filho, plantei algumas árvores. Esta é uma delas. Deu frutos logo no segundo ano. Pouco lhe falta para os trinta anos. Está alta e bonita.
As laranjas começam a ficar maduras em finais de Novembro e são muito saborosas.
Cavei a terra à sua volta, podei-lhe os ramos interiores para que o Sol  e o ar circulassem livremente entre os ramos.
Há poucos anos construímos-lhe uma parede circular com quarenta centímetros de altura.
Protege as suas raízes e serve-nos de banco para as tardes quentes de Verão. No meio encheu-se de terra fértil e fez-se um lindo canteiro de flores.
É muito agradável sentarmos-nos ali nas noites quentes de Verão. Ela parece gostar de nos ouvir conversar. Coisas nossas, cá de casa, preocupações de todos os dias. 
Sendo verdadeiros estes pensamentos então esta árvore é uma boa confidente. Ouve, mas nada conta, a ninguém.  
Comparativamente o meu filho também mudou.
Deu-nos muito mais trabalho e ainda muitas preocupações. 
Os caminhos da educação são assim.
Não dá sombra, mas dá-nos o carinho das palavras e afectos.
Já tem já as suas raízes estendidas permitindo-lhe viver a sua própria vida.
Os ramos interiores, nunca puderam ser podados. Neles, apenas pudemos fazer, alguns enxertos de valores que permanecem através do tempo e das gerações.
Os seus olhos de um verde acastanhado vibram com os amigos leais e enche-nos de orgulho quando ainda nos pede um conselho ou nos oferece uma ajuda.
Gosta de se apresentar sempre bem arranjado, com gosto e elegância. Trabalhámos para que a sua roupa interior fosse ainda mais importante = honra, respeito, amizade e camaradagem..../....
Não posso nem devo fazer comparações . Apenas a idade lhe serve de termo de comparação.
Gostaria que os seus frutos fossem ainda mais doces e reconfortantes e que fosse rico de boas práticas, boas palavras, com trabalho e uma família excelente.
Os anos vindouros serão o nosso juiz pelos princípios que lhe demos e os valores que lhe transmitimos. A sua liberdade fará o restante.
luiscoelho