domingo, 28 de agosto de 2011

A visita - 19/08/2011



A visita

Abriste-me a porta
E deixaste-me entrar
Olhei-te em silêncio
Com desejo de amar
Nossos olhos  sorriram
Os braços se apertaram
Os corações se fundiram
E as palavras cessaram.

Erguemos as taças
Selamos o acordo
Bebemos o licor
Que se fez do amor
Voltámos a olhar
Sem querer pensar
E um novo abraço
Só veio confirmar.

As horas voaram
Sem nada as deter
Nossas almas migraram
Sem nada entender
Abracei-te de novo
Com um rosto estrelado
Partiste sorrindo
Me deixaste encantado

19/08/2011
Luíscoelho








Blogger Duarte disse...
Me ha llegado la noticia que, algunas de las visitas que emplean la lengua española, tenían alguna dificultad para entender el texto, aquí queda mi aportación con la traducción.

LA VISITA

Me abriste la puerta
Y me has dejado entrar
Te miré en silencio
Con deseo de amar
Nuestras miradas sonreían
Los brazos se han apertado
Loa corazones se fundieron
Y las palabras han cesado.

Elevamos las tazas
Sellamos el acuerdo
Bebimos el licor
Que se hizo del amor
Volvimos a mirar
Sin querer pensar
Y un nuevo abrazo
Solo vino confirmar.

Las horas volaran
Sin nada las detener
Nuestras almas migraran
Sin nada entender
Te abracé de nuevo
Con el rostro estrellado
Partiste sonriendo
Me dejaste encantado.

Poema de Luis Coelho
Traducción de Joaquín Duarte


Un gran abrazo para todos
4 de Setembro de 2011 17:02
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Alex & Dina


(foto do google)


A Dina era uma menina simples. Passava despercebida pela sua conduta diária. Nasceu em Portugal mas logo nos primeiros anos viajou com os pais para a Alemanha onde estudou e cresceu. 

Nos últimos meses do secundário o pai da Dina, adoeceu. Apareceram-lhe vários tumores. Foi operado, mas os tumores debilitaram-no.
  
Regressaram todos a Portugal, com a esperança de um milagre. A Dina e os familiares acreditavam que os ares da aldeia, o convívio com os amigos e ainda o silêncio lhe fariam bem.
Resistiu em casa , durante algum tempo, mas teve de ser internado no hospital.

Em Maio de 2004 ao entardecer o seu coração parou. A Dina abraçou a mãe e retirou-a para fora da enfermaria. Juntaram-se-lhe os outros três irmãos e dividiram entre si o peso de todo aquele silêncio. 

A vida não pára mami. Dizia a Dina à mãe tentando fazê-la regressar à realidade.
Quero continuar a estudar até concluir o meu curso.
Foi para Coimbra e trabalhou até conseguir a licenciatura em Biotecnologia. 


Viajou até à Suiça onde encontrou o Alex e um emprego dentro da sua área de estudo.
A vida é uma corrida. Não podemos perder o comboio das oportunidades que vão surgindo. 
O seu relacionamento com o Alex era de uma simbiose quase perfeita.

Marcaram o casamento, para 23/07/2011 e fizeram os convites aos famíliares e amigos.
Fomos testemunhas da sua aliança. Partilhamos a alegria de cada momento.
Cerimónias foram simples mas muito belas. 

Ambos deixaram transparecer a sua alegria. 
A família abriu-lhes as portas de casa e do coração.
Desejamos que sejam felizes e que consigam alcançar todos os objectivos que traçaram para as suas vidas.
*******************************

Convosco vivemos a coragem
Partilhamos a vossa alegria
E saboreamos o pão do amor,
Que vos reuniu neste dia.


Queremos que a vossa viagem
Seja confiante e serena.
Que os dias sejam de paz
E que vivam em comunhão plena


A vida é de trabalho
De confiança e rigor
Que nunca vos falte o pão
Nem o respeito ou o amor


Que todos os dias vos lembrem
As graças do nosso Deus
Que tenham amor entre vós
E nunca se esqueçam dos seus.


Beijinhos da família Aguiar Coelho

terça-feira, 9 de agosto de 2011

500 Participantes

Exiba pantufas ...jpg na apresentação de slides
Oferta da Rosa Maria
500 Participantes

Em Novembro de 2007 iniciei este espaço. Desconhecia regras, segredos, textos e tantas coisas mais. Com os erros fui aprendendo e muitas noites teimava em descobrir como se organizavam os textos e as fotografias.

Lentamente foram surgindo comentários que me encheram de coragem.
Os participantes foram crescendo, atingindo esta manhã o número quinhentos. Foi o Padre Manuel Gonçalves com o Blogue Veritas in Veritate .

Levantei a cabeça e respirei com gosto e também satisfação.
Foi um esforço coroado com êxito que atribuo a todos os que vem participando no blogue = lidacoelho = Os vossos comentários fazem parte integrante dos textos. Por esta razão não fiz nenhuma alteração nem acrescentei alguma coisa mais. 
Reparto a minha alegria com todos de igual modo. Sem o vosso apoio e os vossos comentários não me seria possível esta caminhada.

Gostaria de continuar a contar com a vossa amizade que me é muito preciosa.
Prometo-vos continuar a fazer os textos dentro daquilo que sei, do que me lembra ou até de simples acontecimentos de cada dia.

Prometo-vos escrever cada dia com maior simplicidade e clareza de modo a tornar os textos ainda mais atractivos e participativos
Pelos erros, pelas gralhas e outras lacunas peço que me desculpem
Para todos envio um abraço de amizade com o mais profundo respeito.
Luíscoelho

domingo, 7 de agosto de 2011

A Maria da Luz

stock photo : A lifetime coconut basket

(foto google)


Simpática Senhora. Tinha uns olhos grandes e sempre sorridentes.
Fazia bolos tradicionais que vendia nas feiras e mercados ou ainda pelas festas populares. Empilhava os bolos dentro de uma poceira trabalhada. Depois cobria-os com uma linda toalha branca com as pontas metidas para dentro da poceira.

O marido ajudava-lhe a colocar tudo à cabeça. Num canto da poceira levava ainda algumas enfiadas de  pinhões. Com uma agulha e linha iam enfiando os pinhões formando um colar que as meninas gostavam de pôr ao pescoço. Nas mãos levava ainda uma saca com tremoços curtidos e outra de pevides torradas que vendia a copo ou com uma pequena medida de madeira.

Os dias da Maria começavam muito cedo. 
Saía de casa ao nascer do Sol e só voltava quando tivesse tudo vendido. 
Percorria distâncias entre cinco a dez quilómetros com o cesto à cabeça e seguindo por carreiros ou caminhos no meio de matas densas e escuras.

No mercado, escolhia um lugar e colocava os bolos bem à vista de todos, mas fazia também a sua propaganda comercial:
- Então freguesa não quer comprar um bolo...? São baratinhos...!
- Leve também tremoços ou pevides....São os melhores que se vendem por aqui!

Depois do primeiro negócio benzia-se com o dinheiro e dizia:
- Que nossa Senhora me ajude e que me dê boa venda....
A Maria da Luz gostava muito de falar e quando não tinha assunto, inventava. As mentiras eram tantas e tão grandes que já ninguém acreditava nela.

Umas vezes falava de grandes negócios que fizera e que lhe renderam umas patacas. Outras vezes falava dos seus conhecimentos onde já tinha pedido emprego para os seus rapazes.
Conhecia o Senhor comandante da Base Aérea de Monte Real e os donos dos melhores hotéis das Termas.
- Ah os meus filhos estão garantidos. Tem emprego certo...!

O Chefe da CP (Caminhos de Ferro Portugueses) já me disse que assim que eles façam a quarta classe que os leve lá. Devem começar logo a trabalhar. 
- Ai eu nem sei como é que hei-de agradecer a esta gente tão importante.....

- Estou aqui muito preocupada para chegar a casa. Tenho tantas coisa para fazer.......
Mas atacava novamente:
- Então e você não sabe que ....e lá começava outra história sem pés nem cabeça....
- Ai o meu homem hoje bate-me ....vendi tudo tão barato...Não havia quem quisesse comprar e eu não queria vir carregada outra vez..... 

- Ando aflita da minha espinha, sabe ?
Os médicos mandaram-me ir a banhos para a praia da Vieira, mas como? 
Os meus filhos não podem passar sem a mãe.... Talvez para o ano que vem. O meu filho mais velho, se Deus quiser, já vai trabalhar....

Um dia foi à fonte de Santo Amaro buscar água para fazer a ceia. As horas passavam e nada de voltar para casa. O homem estava desesperado e foi bebendo uns copos.
Noite fechada meteu-se ao caminho e foi procurá-la. Encontrou-a já de regresso a casa com a bilha da água à cabeça. 
- Olha lá são horas de chegar a casa...?  Tu não tens juízo nem vergonha....onde chegas tens que "botar conversa". Nunca te fartas de conversas...

- Oh homem, não me batas. Estive a ajudar o sr Neves a debulhar o milho e demorei mais um pouco. Não havia por lá ninguém para ajudar !
Quando a discussão começou a levantar de tom apareceu um estudante que se meteu à conversa com o marido da Maria da Luz.
Ela, assim que os ouviu falar, sumiu-se com o cântaro cheio de água. Foi para casa e começou a fazer a ceia.

Quando o marido regressou, já lhe tinha passado a fúria. Aquela vontade de partir tudo.
A ceia estava na mesa e tudo acabou bem.
Na semana seguinte, depois de cozer os bolos no forno, escolheu o maior de todos e foi levá-lo de presente ao estudante.

- Isto é para te agradecer. Se não fosses tu ele tinha-me batido! Disse-lhe ela ao chegar.
- Mas não é preciso nada, nem as coisas aconteceram por minha causa.
- Aceita e cala-te que eu é que sei quando ele está bravo.............

Não havia nada a fazer. Ela era mesmo assim. Para tudo tinha pé de conversa e parece que nunca tinha pressa de se ir embora. 
Repetia muitas vezes:
- Ai tenho tenho tanta coisa para fazer...nem sei por onde devo começar....e se o meu homem chega  a casa primeiro do que eu, vou ter de o ouvir ...ai vou, vou... 

O marido da Maria da Luz era um bonacheirão. De quando em vez bebia uns copos mais bastos para esquecer a vida dura que levavam. Cambalhota aqui... cambalhota ali, mas lá ia de regresso a casa. Nestas noites a mulher não lhe dizia nada. Ajudava-o a deitar-se, porque dormir isso ele fazia muito bem. 
Morreu ainda novo. Deu-lhe uma coisa. Dizia a Maria da Luz....

Alguns anos depois, ao anoitecer, vinha ela para casa carregada com a bacia da roupa lavada. Tinha passado a tarde toda no lavadouro público. Lavou a roupa dela e a alma de toda a freguesia. 
Nunca se calou enquanto teve com quem conversar.
Depois quando atravessava a estrada nacional 109, foi colhida por um carro. Teve morte imediata.

Cada pessoa da minha aldeia tem uma história dentro de mim. Como as conheci, as vezes que falámos e as suas particularidades. Se pudesse escreveria um pouco sobre cada uma.
Todas contribuíram com as suas palavras e a sua vida para que as recorde hoje com saudade e também o prazer de relembrar as suas histórias.
Luíscoelho


P. S - O final do texto é triste, mas foi assim a vida da Maria da Luz. Foi assim que ela acabou. Poderia ter escolhido outro, mas já não seria a mesma pessoa. Seria outra sem o olhar vivo desta minha vizinha, que naquela tarde dizia que ia tirar a carta de condução. (tinha sessenta anos)
Todos riram e disseram: - essa é branca....xiça...que imaginação....
- É verdade, tão verdade como nós estarmos aqui todos....Juro, juro e juro.... 
Para ela foi verdade...era assim que via....

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Vai e deixa-me só


(foto google)


Agora tenho medo, tanto medo
Parece que me persegues
Que te aproximas e me levas neste enredo. 
Queria ver-te sem que me visses,
Seguir-te sem que me descobrisses.
Agora, tenho medo do teu olhar.
Parece que entras dentro de mim,
Que me devassas a alma e o corpo
Que roubas o meu espaço
E não me deixas respirar.
Queria ouvir-te silenciosamente,
Beber o som das tuas palavras.
Imaginei-te dentro de mim
Construí-te como gostava de te ver
Desenhei-te nas formas do teu ser.
Mas agora que estás perto, tenho medo,
Tanto medo que penso fugir de ti,
Esconder-me muito longe daqui e de mim. 
Este medo já me farta e nos afasta, 
Parou o meu coração e o sonho.
O sangue solidificou a razão. 
Não te aproximes mais,
Deixa-me morrer sozinho.
Que o meu silêncio me baste
E que esta dor se aparte.........
Luíscoelho



quarta-feira, 20 de julho de 2011

Acordo as manhãs


(foto google)


Acordo nas manhãs leves de sono
E procuro no Sol a esperanaça.
Embebedam-me os raios de luz
Que me possuem no desejo de viver.
Olhar vivo, ávido e atrevido
Busca a esperança a nascente
E reforça a caminhada no presente.
Em mim se cruzam e prolongam
Os dias feitos de sol e ventos
Aqueles que agarro nos pensamentos
E ácidos ou formosos me assentam 
E no coração de sonhos se levantam. 
Em cada dia e por cada acontecer
Sigo a luz que me faz de vida renascer
Abro os olhos ao amor e benquerer
Prolongando mais a cor de entardecer. 
Luíscoelho


Dedico estes simples versos aos meus amigos e seguidores 
Para todos um abraço dentro do coração.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Salazar

 
(Foto google)

Em 1967, 12 e 13 de Maio, veio a Fátima em peregrinação oficial o então chefe máximo da Igreja Católica Paulo VI. Foram das primeiras saídas apostólicas, que os Papas de Roma então iniciaram.

Era  aguardado com muita ansiedade e com um misto de alegria e fé do povo português.
Desceu no aeroporto militar de Monte Real e fez toda a viagem num carro descapotável até ao Santuário de Fátima, onde uma multidão de portugueses e estrangeiros o aguardavam. 

Todas as ruas e estradas, por onde o Papa passou, de Monte Real até Leiria e depois até ao Santuário de Fátima, foram enfeitadas pelo povo das aldeias com bandeirinhas e lindos cordões feitos de verdura natural - alecrim, rosmaninho, louro e alfazema.

O dia estava de chuva, mas logo que o Papa desceu do avião e depois durante toda a viagem até Fátima o tempo manteve-se limpo e sem chuva.
Este acontecimento foi considerado por muitos um verdadeiro milagre. 

Os nossos políticos compareceram em massa à recepção de tão ilustre figura - o Papa.
Salazar, com a viatura blindada estacionou no pátio interior da Casa de N. Senhora das Dores que circunda o Santuário do lado nascente e é pertença do mesmo. 

Sua Santidade, Paulo VI, também pernoitou neste edifício, como o fizeram posteriormente os Papas, João Paulo II e Bento XVI, nas viagens apostólicas que se seguiram anos mais tarde.
Na manhã do dia 13, quando o Papa se dirigia para a Capelinha das Aparições, os alunos do Seminário de Leiria, que faziam o coro musical das peregrinações do Santuário, cercou aquele espaço interior, para o ver  o Papa de perto e receber uma bênção especial.

Um deles, para ver melhor, subiu para o patamar lateral do carro de Salazar, guardado sempre por vários seguranças. Não se apercebeu do risco que este acto lhe podia valer, nem imaginava a origem ou o valor daquela viatura.
Foi retirado de lá e repreendido severamente.

Recordo-o com a sua cara vermelha e os seus olhos de simplicidade e desconhecimento, flamejando de medo ou de algo ainda pior.
Desculpem, eu não sabia.....foi tudo quanto lhe ouvi dizer e que foi tido em conta pelos seguranças para concluir este incidente. Estava muito longe de imaginar que aquela viatura era do então primeiro ministro português.

Salazar nestes anos atingiu o máximo da sua impopularidade. A guerra nas ex-colónias ultramarinas e a fome e miséria do povo em geral. A Pide, polícia política, e as prisões por qualquer motivo, tornaram Salazar num homem odiado pela maioria do povo.

No ano seguinte, este jovem recebeu em casa um envelope da Presidência do Conselho de Ministros. Ele tinha atingido a maioridade. Deveria ir votar, levando consigo este envelope, onde constavam apenas os nomes dos que já ocupavam o poder há cerca de quarenta anos. Eles procuravam controlar tudo e todos.
Votavam apenas os homens, chefes de família e mancebos com idade superior a 21 anos.

No encontro de Salazar com Paulo VI, ouvi contar uma frase marota .
- Tantas casas novas e bonitas no seu país !...
- Estamos a trabalhar para conseguirmos fazer ainda melhor - respondeu Salazar, primeiro ministro português.

Aquilo que mais me marcou na homilia do dia 13 de Maio de 1967 foi aquela frase repetida por Sua Santidade:
- Homens, sede homens. Sede homens cordatos e pacíficos. Sede homens de bem, de paz. Sede homens de Justiça.....um resumo que conservo de memória.

(Para os que quiserem ler a homilia original, poderão fazê-lo no final deste pequeno apontamento) 

As cerimónias terminaram com a Procissão do Adeus. Milhares de lenços brancos agitavam-se no ar, saudando Nossa Senhora e o Papa.
A saída de todas as figuras públicas do Santuário fez-se em silêncio e discretamente para que ninguém se apercebesse destas viaturas nem dos seus ocupantes.

O povo voltou às suas aldeias pelas mesmas estradas e caminhos onde haviam passado dias antes.
Carregavam os cestos do farnel já vazios, mas a alma cheia de amor a Nossa Senhora a quem entregaram todas as sua preocupações numa mistura de fé e de interesses pessoais.
Luíscoelho




SANTA MISSA NA BASÍLICA DE FÁTIMA
HOMILIA DO PAPA PAULO VI
Sábado, 13 de maio de 1967

Veneráveis Irmãos e dilectos Filhos,
Tão grande é o Nosso desejo de honrar a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Cristo e, por isso, Mãe de Deus e Mãe nossa, tão grande é a Nossa confiança na sua benevolência para com a santa Igreja e para com a Nossa missão apostólica, tão grande é a Nossa necessidade da sua intercessão junto de Cristo, seu divino Filho, que viemos, peregrino humilde e confinante, a este Santuário bendito, onde se celebra hoje o cinquentenário das aparições de Fátima e onde se comemora hoje o vigésimo quinto aniversário da consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria.

É com alegria que Nos encontramos convosco, Irmãos e Filhos caríssimos, e que vos associamos à profissão da Nossa devoção a Maria Santíssima e à Nossa oração, a fim de que seja mais manifesta e mais filial a comum veneração e mais aceite a Nossa invocação .
Nós vos saudamos, Irmãos e Filhos aqui presentes, a vós especialmente cidadãos desta ilustre Nação que, na sua longa história, deu à Igreja homens santos e grandes, e um povo trabalhador e piedoso; a vós peregrinos, que viestes de perto e também de longe; e a vós fieis da santa Igreja católica que, de Roma, das vossas terras e das vossas casas, espalhados por todo o mundo, estais agora espiritualmente voltados para este altar. A todos, a todos vós Nós saudamos. Estamos agora a celebrar, convosco e para vós, a santa Missa e, todos juntos, estamos reunidos, como filhos de una família única, perto da Mãe celeste, para sermos admitidos, durante a celebração do santo Sacrifício a uma comunhão mais estreita e salutar com Cristo, nosso Senhor e nosso Salvador.

Não queremos excluir ninguém desta recordação espiritual, porque é vontade Nossa que todos participem das graças que estamos agora a impetrar do céu. Todos vós tendes um lugar no Nosso coração: vós, Irmãos no Episcopado; vós, Sacerdotes e vós, Religiosos e Religiosas, que, com amor total, vos consagrastes a Cristo; vós, Famílias cristãs; vós, Leigos caríssimos, que desejais colaborar com o Clero na propagação do reino de Deus; vós, jovens e crianças, que desejaríamos que estivesseis todos à nossa volta; e todos vós que vos sentis atribulados e cansados, vós que sofreis e chorais, e que, certamente, vos recordais como Cristo vos chama para perto de si, a fim de vos associar à sua paixão redentora e vos consolar.

O Nosso olhar abrange ainda todos os cristãos não católicos, mas irmãos nossos ao baptismo; mencionamo-los com esperança de perfeita comunhão nessa unidade que o Senhor Jesus deseja. E o Nosso olhar abraça o mundo todo: não queremos que a Nossa caridade tenha fronteiras e, neste momento, estendemo-la à humanidade inteira, a todos os Governantes e a todos os Povos da terra. Vós sabeis quais são as Nossas intenções especiais que desejamos caracterizem esta peregrinação. Vamos recordá-las aqui, a fim de que inspirem a Nossa oração e sejam luz para todos aqueles que Nos ouvem.

A primeira intenção é a Igreja: a Igreja una, santa, católica e apostólica. Queremos rezar, como dissemos, pela sua paz interior. O concílio Ecuménico despertou muitas energias no seio da Igreja, abriu perspectivas mais largas no campo da sua doutrina, chamou todos os seus filhos a uma consciência mais clara, a uma colaboração mais íntima, a um apostolado mais activo. Queremos firmemente que tão grande benefício e tão profunda renovação se conservem e se tornem ainda maiores. Que mal seria, se uma interpretação arbitrária e não autorizada pelo magistério da Igreja transformasse este renascimento espiritual numa inquietação que desagregasse a sua estrutura tradicional e constitucional, que substituísse a teologia dos verdadeiros e grandes mestres por ideologias novas e particulares que visam a eliminar da norma da fé tudo aquilo que o pensamento moderno, muitas vezes falto de luz racional, não compreende e não aceita, e que mudasse a ânsia apostólica de caridade redentora na aquiescência às formas negativas da mentalidade profana e dos costumes mundanos. Que desilusão causaria o nosso esforço de aproximação universal, se não oferecesse aos Irmãos cristãos, ainda de nós separados, e aos homens que não possuem a nossa fé, na sua sincera autenticidade e na sua original beleza, o património de verdade e de caridade, de que a Igreja é depositária e distribuidora?

Queremos pedir a Maria uma Igreja viva, uma Igreja verdadeira, uma Igreja unida, uma Igreja santa. É vontade Nossa rezar convosco a fim de que as esperanças e energias suscitadas pelo Concílio, possam trazer-nos em larguíssima escala os frutos daquele Espírito Santo, que a Igreja amanhã celebra na festa de Pentecostes e do qual provém a verdadeira vida cristã; esses frutos enumerados pelo Apóstolo Paulo: « caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e temperança » (Gál. 5, 22). É vontade Nossa rezar a fim de que o culto de Deus hoje e sempre conserve a sua prioridade no mundo, e a sua lei dê forma à consciência e aos costumes do homem moderno. A fé em Deus é a luz suprema da humanidade; e esta luz não só não deve apagar-se no coração dos homens, mas, pelo contrário, deve reacender-se por meio do estímulo que lhe vem da ciência e do progresso.

Este pensamento, que anima e estimula a Nossa oração, leva-Nos a pensar neste momento naqueles países: em que a liberdade religiosa está praticamente suprimida e onde se promove a negação de Deus, como se esta representasse a verdade dos tempos novos e a libertação dos povos. Mas, a verdade é bem diferente. Rezamos por esses países; rezamos pelos nossos irmãos crentes dessas nações, a fim de que a íntima força de Deus os sustente e a verdadeira liberdade civil lhes seja concedida.
E, assim, passamos à segunda intenção deste Nosso peregrinar, intenção que enche a Nossa alma: o mundo, a paz do mundo.

Sabeis como a consciência da missão da Igreja no mundo, missão de amor e de serviço, se tornou, no dia de hoje, depois do Concilio, bem vigilante e bem activa. Sabeis como o mundo se acha numa fase de grande transformação por causa do seu enorme e maravilhoso progresso, na consciência e na conquista das riquezas da terra e do universo. Mas, sabeis também e verificais que o mundo ,não é feliz nem está tranquilo. A primeira causa desta sua inquietação é a dificuldade que encontra em estabelecer a concórdia, em conseguir a paz. Tudo parece impelir o mundo para a fraternidade, para a unidade; no entanto, no seio da humanidade, descobrimos ainda tremendos e contínuos conflitos. Dois motivos principais tornam, por isso, grave esta situação histórica da humanidade: ela ,possui um grande arsenal de armas terrivelmente mortíferas, mas o progresso moral não iguala o progresso científico e técnico. Além disso, grande parte da humanidade encontra-se ainda em estado de indigência e de fome, ao mesmo tempo que nela se acha tão desperta a consciência inquieta das suas necessidades e do bem-estar dos outros. É por este motivo que dizemos estar o mundo em perigo. Por este motivo, viemos Nós aos pés da Rainha da paz a pedir-lhe a paz, dom que só Deus pode dar.

Sim, a paz é dom de Deus, que supõe a intervenção de uma acção do mesmo Deus, acção extremamente boa, misericordiosa e misteriosa. Mas, nem sempre é dom miraculoso; é dom que opera os seus prodígios no segredo dos corações dos homens; dom que, por isso, tem necessidade da livre aceitação, depois de se ter dirigido ao céu, dirige-se aos homens de todo o mundo: dizemos neste momento singular, procurai ser dignos do dom divino da paz. Homens, sede homens. Homens, sede bons, sede cordatos, abri-vos à consideração do bem total do mundo. Homens, sede magnânimos. Homens, procurai ver o vosso prestígio e o vosso interesse não como contrários ao prestígio e ao interesse dos outros, mas como solidários com eles. 

Homens, não penseis em projectos de destruição e de morte, de revolução e de violência; pensai em projectos de conforto comum e de colaboração solidária. Homens, pensai na gravidade e na grandeza desta hora, que pode ser decisiva para a história da geração presente e futura; e recomeçai a aproximar-vos uns dos outros com intenções de construir um mundo novo; sim, um mundo de homens verdadeiros, o qual é impossível de conseguir se não tem o sol de Deus no seu horizonte. Homens, escutai, através da Nossa humilde e trémula voz, o eco vigoroso da Palavra de Cristo: « Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra, bem aventurados os pacíficos, porque serão chamados fìlhos de Deus ».
Vede, Filhos e Irmãos, que aqui Nos escutais, corno o quadro do mundo e dos seus destinos se apresenta aqui imenso e dramático. É o quadro que Nossa Senhora abre aos Nossos olhos, o quadro que contemplamos com os olhos aterrorizados, mas sempre confiantes; o quadro do qual Nos aproximaremos sempre - assim o prometemos - seguindo a admoestação que a própria Nossa Senhora nos deu: a da oração e da penitência; e, por isso, queira Deus que este quadro do mundo nunca mais venha a registar lutas, tragédia e catástrofes, mas sim as conquistas do amor e as vitórias da paz.

(Texto copiado do google)
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