sexta-feira, 10 de abril de 2009

Semana Santa

Recordo os meus tempos de menino em que brincávamos aos carrinhos. Uma cana com uma roda de madeira e uma estaladeira que nos fazia correr sem parar. Era um luxo ter um brinquedo assim. O meu carrinho era sempre o melhor de todos. O Pai parava para nos ajudar a construi-lo. Alguns dias conseguíamos roubar-lhe o seu tempo de descanso a que chamavam a «sesta». Depois do almoço, ao meio dia, cada um recostava-se como podia e se conseguisse fechar os olhos dormia uma hora.
Nunca tivemos brinquedos da loja, mas os nossos ainda eram melhores.
Quando subíamos a encosta de Riba D`Aves e construíamos as ventoinhas com as cascas dos eucaliptos. Depois corríamos encosta abaixo segurando com uma mão aquele brinquedo que nos deliciava pelo movimento e nos deixava sonhar com outros voos.
Recordo que na minha infância eram considerados dias santos de guarda: Quinta Feira Santa de tarde e Sexta Feira Santa de manhã.
Nestes espaços de tempo o Pai arranjava o jardim. Cavava a terra em frente da casa, junto à porta principal. Depois dividia em dois canteiros iguais separados por um corredor com cerca de um metro de largura.
Nesse tempo plantavam os craveiros, semeavam os goivos e ainda os malmequeres brancos.
O nosso trabalho consistia em limpar as canas com uma faca, deixando-as limpas e brilhantes.
No final o pai cortava todas as canas pelo mesmo tamanho e começava a construir uma cercadura a toda a volta do jardim entrelaçando-as umas nas outras .
Fazia um ripado maravilhoso não deixando que as galinhas ou os outros animais entrassem naquele espaço.
A mãe já tinha colhido dois molhos de junco verdinho e fresco nas valas junto ao rio Lis.
Este junco era espalhado pelo chão, na divisória central, de modo a que o nosso calçado não levasse terra para dentro de casa.
Fazia um tapete maravilhoso a que ainda juntavam folhas de louro e alecrim que deixava um aroma no ar durante alguns dias.
Nos Cantos deste ripado de canas era fixados no chão braças de loureiros dando a beleza natural e ainda como convite à visita Pascal do Senhor Padre Gaspar que na data era o nosso capelão.
Os tempos hoje são outros e todas as casas tem um jardim bonito todo o ano.
A visita Pascal perdeu um pouco o sentido e estes dias são ocupados por outras escolhas.