domingo, 9 de agosto de 2009

Raul Solnado

Na minha juventude habituei-me a vê-lo em programas de TV. A sua voz, a sua figura , os seus gestos prenderam-nos muitas horas frente à televisão.
Era magnifico naquele jeito de falar e contar histórias. Nunca recorreu a linguagem indecorosa nem leviana. Falava com simplicidade a língua de Camões que todos os portugueses falam e entendem com naturalidade.
A sua partida deixa saudades e o seu lugar vai ser difícil de preencher até que o tempo nos traga alguém com aquela fibra e cunho próprio dos artistas.
Não chorei com a notícia da sua morte, mas sinto que perdemos alguém que nos animava e que era considerado um familiar, um amigo.
Não havia novos nem velhos que não gostassem do Solnado.
Penso que o Raul também gostava de todos com quem trabalhou e conviveu.
Gostei da carta que escreveu a um Ser Superior, Deus, naquela tarde em que ocasionalmente entrou e rezou numa Igreja.
Aqui mais uma vez se mostrou tal como sempre foi-aberto e sincero.
Se Deus estava lá tenho a certeza que o ouviu.
Hoje não nos contará mais histórias, mas estará mais perto de Deus.
Muito mais perto desse Deus que não conheceu mas que ainda assim procurou amar.
Esta vida é muito curta e nem sempre nos apercebemos da caducidade.
Nesta viagem levaste contigo todos os teus amigos e a coragem de a todos respeitar.