sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

As tintas

Estas tintas que se turvam
Como águas sujas espremidas
Correndo vazias de transparência
Sufocam-me a alma torcida
De desejos puros e demências.
Procuro em vão separar as águas
Formando límpidas correntes
A mais belas e transparentes
Dos dias sem dores nem mágoas
Que se misturam logo nas nascentes.
Estas tintas com que escrevo
Nas folhas brancas de papel
Fazem o fato, a roupa que visto
Nos dias e os anos que resisto
Em meadas simples de letras
Como um fio dobrado de cordel.
luiscoelho