terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Estoril








Estávamos a jantar quando o telefone tocou. Mais uma dessas chamadas de publicidade que nos consomem tempo e paciência, pensámos todos ao mesmo tempo, rodando simetricamente o olhar para o telefone.

A minha filha atendeu. Era para ela e com ela o assunto. 
Terminada a conversação disse-me:
 _Pai, queres ir comigo amanhã a São João do Estoril...?  
Nem esperou pela resposta e desenhou logo o percurso e a hora de saída.
Tinha que estar lá às 14 horas para uma entrevista de selecção.
A distância daqui de casa em Leiria até ao Estoril deve ser de 150 quilómetros.
Vive numa corrida cronometrada para conseguir colocação profissional e começar a sua carreira na área de Turismo Activo e Desporto da Natureza.
Uma viagem muito agradável e sem grande movimento.
Seguindo um mapa que procurou na Net, conseguiu chegar perto da hora prevista.
Os meus olhos corriam extasiados por toda a costa da Marginal de Cascais. O Mar, as casas e todo o movimento.
Eu já conhecia tudo aquilo. Hoje apenas revivi uma pequena parte.
Quando saímos do carro dei por falta da minha carteira com os documentos bem como do telemóvel.
Lia, perdi a carteira e o telemóvel ! disse numa voz alta e angustiada.........
Abri novamente a porta do carro e encontrei o telemóvel caído, mas a carteira nem sombra.
Não era pelo dinheiro que continha, mas sim pelos documentos pessoais e ainda os cartões bancários.
Um senhor de cerca de 60 anos, que ia a passar e que ouviu a nossa conversa, olhou para trás e disse:
_ A sua carteira senhor - está aqui !
Baixou-se, apanhou-a e estendeu-me a mão oferecendo-me o fim de um grande pesadelo.
Os seus olhos brilhavam num rosto feito de rugas profundas. 
Neste segundos de silêncio estendeu-me a outra mão num cumprimento de pura amizade e desejou um bom ano de 2010.
Nesta confusão estava quase sem lhe saber dizer obrigado.
Segurei alguns segundos aquele cumprimento e lá fui dizendo:
Bom Ano também para o senhor e para todos os seus e fico-lhe muito agradecido.
Ufa!.....
Peguei nas minhas coisas e mudei-as para outro bolso. Afinal, o bolso do meu casaco, estava roto